A nova liquidação bancária decretada pelo Banco Central, desta vez, envolvendo o Banco Pleno, reacendeu um debate importante sobre risco no sistema financeiro brasileiro.

Nos últimos meses, já vimos episódios semelhantes com Master, Will Bank e outras instituições que enfrentaram problemas sérios de liquidez e governança.

Somando os casos recentes, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já foi acionado para cobrir quase R$ 52 bilhões. O sistema continua funcionando como deveria. Mas os episódios deixam lições importantes para o investidor.

E é aqui que começa o verdadeiro aprendizado.

O erro do investidor após uma liquidação bancária

Sempre que acontece uma liquidação bancária, o comportamento do investidor tende a oscilar entre dois extremos: primeiro, a busca por taxas cada vez mais altas; depois, o medo generalizado e a fuga completa de CDBs, LCIs e LCAs, como se o problema fosse o instrumento — e não o emissor.

Tenho visto muitos clientes dizendo: “Agora, só quero bancão. Não quero mais saber de banco médio.”

Mas essa não é a conclusão correta. O problema nunca foi o CDB.

O problema sempre foi não entender o risco por trás da taxa.

Retorno alto não é generosidade. É risco!

Em renda fixa, não existe almoço grátis. Se um banco está pagando significativamente mais do que seus pares, ele não está sendo simpático — está precificando risco.

Esse risco pode estar na qualidade da carteira de crédito, na concentração em poucos clientes, na estrutura de capital, na governança ou até na estratégia agressiva de crescimento.

Quando olhamos para os casos recentes, o padrão é claro: crescimento acelerado demais, funding caro demais, ativos de qualidade questionável ou desalinhamento entre liquidez e obrigações.

O FGC não é estratégia de investimento

O FGC existe e funciona — e isso é importante. Mas é um colchão de proteção, não uma estratégia de investimento. E ele também tem risco de crédito!

Investir contando que “se der errado, o FGC paga” é inverter a lógica da prudência.

Separar o joio do trigo: banco médio não é sinônimo de risco

Para mostrar que o problema não é “CDB”, e sim “qual banco”, vale comparar com uma instituição que analisamos recentemente: o Banco ABC Brasil.

O ABC não é um banco de varejo conhecido do grande público. É um banco de atacado, focado em empresas médias e grandes. Mas o que importa aqui não é o nome — são os números.

E, quando olhamos para os números, a diferença começa a aparecer.

Em 2025, a carteira de crédito expandida chegou a R$ 54 bilhões, com crescimento consistente de 3% ao ano e controlado. A parcela mais arriscada da carteira seguiu caindo em 2025 e 2023. 

Além do crescimento controlado e da melhora no perfil de risco, outros indicadores reforçam essa disciplina. As provisões sempre permaneceram abaixo de 1% da carteira. O índice de Basileia está sempre acima de 16%. O caixa representa 16% da carteira de crédito. O ROE segue girando em torno de 15%.

Traduzindo: crescimento moderado, risco controlado, capital forte e liquidez confortável.

Percebe a diferença?

Não é sobre ser banco grande ou banco médio. É sobre disciplina de risco.

Saiba avaliar bancos médios

O investidor amador vai sair correndo para o “grande demais para quebrar”.

O investidor imprudente vai continuar caçando a maior taxa da tela.

O investidor sofisticado faz outra coisa: ele entende que taxa é função de risco — e passa a analisar risco antes da taxa.

Existem bancos médios excelentes, com boa gestão, capital robusto e modelos de negócio sustentáveis, que pagam prêmios interessantes justamente porque não têm a mesma capilaridade de um Itaú ou Bradesco.

Ignorar esses bancos é deixar retorno na mesa.

Ignorar o risco deles é assumir um risco que você não mediu.

O caminho não é abandonar CDBs. O caminho é aprender a ler o balanço, entender a liquidez, acompanhar o índice de Basileia, as provisões, a concentração de carteira e a qualidade de governança.

É separar o joio do trigo.

A verdadeira lição da liquidação do Banco Pleno

Eventos como o do Banco Pleno não significam que o sistema financeiro brasileiro não seja confiável. Pelo contrário: mostram que os colchões de estresse funcionam. Problemas aparecem, são tratados e os depositantes são protegidos dentro das regras.

Mas, para o investidor, a lição é clara:

  • não é porque é renda fixa que é livre de risco;
  • não é porque tem FGC que não exige análise;
  • não é porque paga mais que é melhor.

E é exatamente aqui que entra o nosso trabalho.

Nós analisamos banco por banco, balanço por balanço, com critério técnico e disciplina. Não buscamos a maior taxa da prateleira — buscamos a melhor relação risco-retorno.

Se você tem exposição a bancos médios, quer revisar sua carteira ou simplesmente entender melhor como diferenciar uma instituição sólida de uma problemática, eu posso ajudar aqui.

Momentos como este não são para entrar em pânico; são para investir com mais inteligência.