A JBS (JBSS32) registrou uma receita líquida de US$ 21,61 bilhões no 1T26, alta de +11% na comparação anual, enquanto o Ebitda foi de US$ 1,13 bilhão, -26% menor. Já o lucro líquido foi de US$ 221 milhões, baixa de -56% em relação ao 1T25.

 Destaques financeiros. Fonte: JBS RI

Destaques operacionais e financeiros

A diversificação geográfica e de proteínas sustentou a receita da JBS no período. A Beef North America, maior unidade do grupo, reportou receita recorde para um primeiro trimestre, com a demanda resiliente do consumidor americano segurando os preços da carne em patamares historicamente altos, mas a baixa disponibilidade de gado elevou o custo acima do avanço dos preços de venda, pressionando as margens. 

A USA Pork e a JBS Brasil também marcaram receita recorde para um primeiro trimestre, a primeira beneficiada pela busca do consumidor americano por proteínas mais baratas, e a segunda puxada por preços maiores no mercado externo. 

A Pilgrim's Pride implementou paradas programadas para ganho de eficiência e enfrentou fundamentos mais fracos de commodities e clima adverso, impactando seus números. A Seara teve alta nas vendas em volume e preço no mercado externo, mesmo com ambiente mais desafiador em mercados-chave por conta do conflito no Oriente Médio.

Por segmento, a receita líquida cresceu em todas as unidades: Beef North America (+12%), Pilgrim's Pride (+2%), JBS Brasil (+19%), Seara (+11%), JBS Australia (+32%) e USA Pork (+1,5%). A receita líquida consolidada foi de US$ 21,61 bilhões, alta de +11%.

O custo dos produtos vendidos subiu +14%, acima da receita, comprimindo o lucro bruto, que recuou -11%, para US$ 2,32 bilhões, com a margem caindo para 10,8%. Já o Ebitda consolidado recuou -26%, totalizando US$ 1,13 bilhão (com margem de 5,2%, -2,6 p.p.).

Analisando por segmento, o Ebitda da Beef North America foi negativo em US$ -267 milhões (ante US$ -100 milhões no 1T25), e o da Pilgrim's Pride caiu -32%. Já o Ebitda da Seara recuou -13% (mas mantendo margem elevada) e o da JBS Australia caiu -17%, penalizada pela conversão para dólar (em dólares australianos o resultado ficou estável). Na contramão, USA Pork (+11%) e JBS Brasil (+28%) avançaram no período.

O resultado financeiro (negativo) piorou para US$ -314 milhões (ante US$ -192 milhões), com a despesa financeira subindo +14% e com queda na receita financeira. A linha de impostos ajudou parcialmente o resultado, com a despesa caindo para US$ 67 milhões (vs. US$ 138 milhões), e a participação nos resultados de coligadas contribuiu com US$ 138 milhões (ante US$ 3 milhões). Assim, o lucro líquido fechou em US$ 221 milhões (-56%). 

Na geração de caixa, o primeiro trimestre é sazonalmente consumidor de caixa pela concentração de pagamentos a fornecedores de gado e suínos – o que, somado ao Ebitda menor e a um aumento no capex (investimento), o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ -1,47 bilhão (ante US$ -917 milhões no 1T25). 

A dívida líquida encerrou o trimestre em US$ 17,86 bilhões e a alavancagem (dívida líquida/Ebitda) subiu para 2,77x, ainda em linha com a meta de longo prazo. O ROE (retorno sobre patrimônio líquido) ficou em 22,1% e o ROIC (retorno sobre capital investido) em 14,9%, ambos abaixo dos níveis registrados no 1T25.

Perspectivas futuras da JBS (JBSS32)

Para 2026, os números da JBS seguem condicionados ao ciclo do gado nos EUA, principal fonte da pressão de margem no trimestre. Enquanto a baixa disponibilidade de animais mantiver o custo elevado, a Beef North America tende a permanecer pressionada. 

A companhia aponta que o impacto do primeiro trimestre no caixa pode ser revertido ao longo do ano. No campo da remuneração ao acionista, está prevista a distribuição de dividendos a serem pagos em junho de 2026 (US$ 1,07 bilhão já provisionado no balanço), e a estrutura de capital segue confortável. 

Ainda, há expectativas positivas de ganhos com investimentos em crescimento em curso (que justificam um capex mais elevado no último trimestre) e com as iniciativas de eficiência que vêm sendo adotadas na Pilgrim's Pride.

Vale a pena investir na JBS (JBSS32)?

Com uma melhor precificação de suas ações pós-listagem na Bolsa americana, a JBS passou a negociar a um múltiplo EV/Ebitda em linha com a média histórica, o que, em conjunto de um cenário ainda desafiador, reduz a atratividade em seu investimento no momento.

Quem é a JBS (JBSS32)?

Com mais de 70 anos de história, a JBS é a maior empresa de proteína animal e a segunda maior empresa de alimentos do mundo. Atualmente, é líder na produção mundial de carne bovina e frango, além de ser a segunda maior produtora de suíno.

Qual o dividend yield da JBS (JBSS32)?

Considerando as distribuições realizadas nos últimos 12 meses, o dividend yield atual da JBS encontra-se em 6,28%.