A ISA Energia Brasil divulgou os resultados do 2T26 com uma leitura que exige atenção aos detalhes: por trás de um crescimento operacional sólido, o lucro líquido veio bem mais fraco — pressionado pelo maior custo da dívida, não por uma piora na operação. E essa queda já era esperada pela própria companhia, resultado direto dos investimentos feitos para mitigar a perda gradual do RBSE.

Receita da ISA Energia sobe 21% no 2T26, puxada por novos contratos 

A ISA Energia Brasil fechou o 2T26 com uma receita líquida de R$ 1,24 bilhão, alta de +21% na comparação anual.

O principal motor foi a receita dos contratos licitados, que saltou +45%, impulsionada pelas energizações de Água Vermelha, Riacho Grande e, sobretudo, do projeto Piraquê — que passou a reconhecer 100% da RAP (Receita Anual Permitida) a partir de maio — além do Jacarandá.

A receita da Concessão Paulista também avançou, com alta de +14%, puxada pela incorporação de projetos de reforços e melhorias de grande porte. 

Na contramão, a RBSE (parcela de indenização de ativos antigos) recuou -10%, refletindo a redução do seu componente financeiro após decisão da ANEEL em junho de 2025. Expurgando essa parcela em queda, a receita líquida ex-RBSE subiu +52%, para R$ 779 milhões.

Os custos gerenciáveis (PMSO — pessoal, materiais, serviços e outros) subiram +13%, para R$ 210 milhões, com destaque para serviços (+21%) e pessoal (+7%). Como a receita cresceu acima das despesas, o Ebitda avançou +23%, para R$ 967 milhões. 

Por que o lucro da ISA Energia caiu 32%?

Apesar do avanço do Ebitda, o lucro líquido caiu -32%, para R$ 174 milhões, em função do crescimento de +82% do resultado financeiro (negativo), devido ao maior endividamento em relação ao mesmo período do ano anterior e uma maior posição de dívida bruta indexada ao IPCA (passou de 56% para 67% do total). 

A linha de impostos de renda, porém, ajudou a aliviar parcialmente a pressão na última linha da DRE.

Os investimentos somaram R$ 1,05 bilhão no trimestre (-4%), com queda em greenfield (-16%, após as energizações de Jacarandá e Piraquê), mas alta em reforços e melhorias (+17%). A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 16,3 bilhões (+15% vs. 2025), elevando a alavancagem (dívida líquida/Ebitda) para 3,78x (vs. 3,63x).

Perspectivas para ISAE4: vale a pena investir?

A ISA Energia entregou mais um trimestre operacionalmente sólido, com a receita e o Ebitda em forte expansão, colhendo os frutos da maturação de sua carteira de projetos, e com uma receita regulada e de alta previsibilidade. 

A queda do lucro já era esperada, tendo em vista os esforços da companhia em investimentos para mitigar os efeitos da “perda” do RBSE e acrescentar números ainda mais robustos nos próximos anos.

Os investimentos, porém, já entram em um cenário descendente em 2026 e deverão ser cada vez menores ao longo dos próximos anos (R$ 12 bilhões autorizados até 2033, com fluxos concentrados em 2026 e 2027, mas em montantes menores em relação ao que foi investido em 2025). 

Com isso, a tendência é que, ao passo que o RBSE sai da conta, a menor pressão de alavancagem tende a contribuir positivamente para os resultados.

Ainda, vale destacar o movimento realizado (e concluído em julho/26), junto à AXIA Energia, de descruzamento de ativos, passando a deter 100% da IE Madeira e alienando sua participação na IE Garanhuns, com um incremento líquido de RAP de R$ 306 milhões (+ R$ 390 milhões da IE Madeira e - R$ 84 milhões da IE Garanhuns) e um pagamento de R$ 1,2 bilhão. 

Outro evento importante realizado pós-fechamento do 2T26 foi a conclusão de seu follow-on, com a captação dos mesmos R$ 1,2 bilhão, por meio da venda de cerca de 44 milhões de ações a um preço de R$ 27/ação.

Apesar de alguns pontos negativos, como aumento de alavancagem e redução do lucro no curto prazo, esse é o preço de manter elevada robustez e visibilidade para o longo prazo. 

Com uma RAP potencial de R$ 7,1 bilhões no atual ciclo 2026/27 (+11% vs. ciclo 2025/26, já considerando reajuste e descruzamento de ativos), vemos a ISA Energia com plena capacidade de seguir apresentando bons resultados e dividendos aos seus acionistas.

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