A Cosan (CSAN3) acaba de lançar o IPO da Compass, empresa do grupo que atua no setor de gás. A operação tem potencial para movimentar até R$ 5 bilhões e chama atenção não apenas pelo volume financeiro, mas também por representar o primeiro IPO na B3 desde 2021.

IPO da Compass: detalhes da oferta

A Compass protocolou o pedido de oferta pública inicial (IPO) na CVM, com a intenção de distribuir até 89,3 milhões de ações. A operação pode movimentar até R$ 5 bilhões, marcando a retomada das aberturas de capital na bolsa brasileira após um período prolongado de baixa atividade. 

A definição final do preço ocorrerá após o processo de bookbuilding, previsto para 7 de maio, quando investidores institucionais indicam o valor que estão dispostos a pagar pelas ações.

IPO da Compass é oferta secundária

Um ponto importante da operação é que se trata de uma oferta secundária. Isso significa que não teremos emissão de novas ações e os recursos levantados não irão diretamente para o caixa da empresa, mas sim para os acionistas atuais que estão vendendo suas participações.

Entre os vendedores estão a Cosan, que poderá vender até 15% da sua participação e ainda manter o controle da companhia, além de investidores como Atmos, Bradesco, Brasil Capital e o grupo Bússola.

A oferta da Compass está alinhada ao plano de reestruturação da Cosan, controladora da empresa, e representa mais um passo importante na reorganização da sua estrutura de capital.

Negociação das ações na B3

As ações da Compass serão negociadas no Novo Mercado da B3, segmento que exige padrões mais elevados de governança corporativa. O ticker definido para negociação será PASS3.

Para atender às regras do Novo Mercado, a empresa precisará garantir um free float mínimo de 25% do capital, ou 15% caso apresente alta liquidez nas negociações.

Atuação da Compass no setor de gás

A Compass é uma gestora de negócios independentes do setor de Gás e Energia, e divide suas operações em Distribuição de Gás e de Marketing & Serviços.

Reestruturação da Cosan e impacto no IPO da Compass

Recentemente, a Cosan concluiu a primeira etapa de seu aumento de capital (follow-on), levantando pouco mais de R$ 10 bilhões. Esse movimento foi relevante para reduzir a alavancagem e deve contribuir para a diminuição das despesas com juros da dívida nos próximos períodos.

Mesmo com esses avanços, a holding segue comprometida com a desalavancagem. Um dos principais pontos de atenção continua sendo a Raízen, que recentemente entrou com pedido de recuperação extrajudicial.

A Cosan destacou que, apesar de ser controladora, esse processo não deve impactar diretamente o seu balanço. Ainda assim, a empresa afirmou que segue envolvida na reestruturação da Raízen, embora não pretenda participar de uma eventual capitalização, por discordar dos termos propostos.

Segundo a gestão, apenas a injeção de recursos não resolveria os problemas estruturais da Raízen no longo prazo. A alternativa considerada mais sustentável seria a separação dos negócios, que possuem dinâmicas distintas de geração de caixa e alocação de capital.

Além disso, a Cosan reforçou que continuará avançando na desalavancagem por meio de simplificação organizacional, venda de ativos não estratégicos e possíveis novas operações no mercado, incluindo o IPO da Compass e outras oportunidades dentro do portfólio.

Após anos de investimentos elevados, a Cosan passou a enfrentar um cenário mais desafiador, com alta alavancagem, juros elevados e dificuldades em parte de seus negócios. Esse contexto levou a holding a iniciar um amplo processo de reestruturação.

Entre os avanços mais relevantes está a capitalização realizada no final de 2025, que deve seguir contribuindo para a melhoria da sua estrutura financeira.

Com a continuidade dessas iniciativas, a expectativa é que a Cosan recupere sua capacidade de geração de caixa e lucratividade nos próximos anos. 

Projeções indicam potencial de retorno a um lucro na faixa de R$ 3 bilhões, o que poderia impulsionar uma reprecificação relevante da companhia no mercado. 

IPO da Compass pode marcar retomada do mercado

Se concretizado, o IPO da Compass será o primeiro na B3 desde 2021, período em que o mercado brasileiro viveu um boom de ofertas públicas, com 28 IPOs em 2020 e 46 em 2021.

Desde então, o cenário macroeconômico mais desafiador afastou empresas da Bolsa brasileira, levando muitas a buscar capital no exterior. Um exemplo recente foi o banco digital PicPay, que realizou captação na Nasdaq.

O IPO da Compass pode indicar uma mudança nesse cenário, abrindo espaço para novas ofertas no mercado doméstico.

Bancos envolvidos na operação

A oferta conta com um amplo sindicato de bancos, incluindo instituições nacionais e internacionais. Entre os coordenadores estão BTG Pactual, Bank of America, Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, JP Morgan, Santander e XP Investimentos.

A presença desses players reforça a relevância e o potencial da operação no mercado financeiro.