Investir no exterior significa alocar parte do patrimônio em ativos de outros países, como ações, ETFs, bonds, REITs ou fundos internacionais, com o objetivo de diversificar a carteira, proteger o poder de compra e acessar economias mais estáveis do que a brasileira.

O argumento para internacionalizar não é apenas teórico. Entre 2015 e 2025, o S&P 500 acumulou +235% em dólares, o MSCI World, +166% — enquanto o Ibovespa entregou +182% no mesmo período, medido na mesma moeda. 

O CDI, apesar dos juros elevados em reais, acumulou apenas 75% em dólares na última década. Isso significa que investidores restritos ao Brasil perderam parte do crescimento global nesse período.

O Brasil representa apenas 1% do mercado global de capitais e cerca de 2% do PIB mundial. Concentrar o patrimônio exclusivamente aqui é aceitar riscos desnecessários: instabilidade fiscal, volatilidade cambial e ciclos econômicos que oscilam ao sabor da política doméstica. A diversificação internacional não é um luxo, e sim uma estratégia de proteção patrimonial acessível a qualquer investidor.

Neste conteúdo, você vai entender como funciona o investimento fora do Brasil, quais são os principais tipos de ativos disponíveis, como abrir conta em corretoras internacionais, quanto alocar e o que considerar em relação a impostos, câmbio e riscos.

Sumário

Por que investir no exterior?

Há muitas vantagens em investir fora do Brasil. As principais são:

  • acesso a ativos de qualidade e natureza superior aos ativos domésticos. Seja por meio de equity em empresas muito superiores às encontradas no mercado brasileiro, ou pelo crédito;
  • segurança jurídica e econômica muito maior que a encontrada no Brasil;
  • benefício cambial de estar investido em moedas que não apresentam a mesma devastação de valor que o real brasileiro;
  • economias movidas à competição, onde a taxa de juros possibilita investimentos com taxas de retorno satisfatórias - ao contrário do Brasil;
  • economias desenvolvidas possuem variações menores que mercados subdesenvolvidos.

Como investir no exterior morando no Brasil?

Com a tecnologia e o avanço das plataformas digitais, você pode diversificar sua carteira com ações, fundos e outros produtos fora do país de forma prática, segura e legalizada. Confira as principais opções disponíveis.

Ações internacionais

Investir diretamente em ações internacionais é uma das formas mais buscadas por brasileiros que querem exposição a gigantes globais como Apple, Amazon, Microsoft, entre outras listadas nas bolsas americanas. Para isso, é necessário abrir conta em uma corretora estrangeira habilitada a operar com investidores não residentes nos Estados Unidos.

Além do acesso a empresas consolidadas, você também se beneficia da solidez do mercado norte-americano e da possibilidade de dolarizar parte do seu patrimônio

ETFs (fundos de índice)

Os ETFs — ou Exchange Traded Funds — são uma maneira prática e eficiente de diversificar seus investimentos no exterior. Com um único ativo, você acessa um conjunto de ações com exposição a setores, regiões ou índices específicos. É o caso do SPY, que replica o S&P 500, ou do QQQ, focado nas empresas de tecnologia da Nasdaq.

A grande vantagem dos ETFs é a simplicidade: eles são negociados como ações, têm baixo custo e oferecem ampla diversificação com apenas uma operação.

BDRs

Para quem prefere simplicidade e não quer abrir conta fora do país, os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) são uma excelente porta de entrada. Eles funcionam como certificados que representam ações de empresas estrangeiras e são negociados diretamente na B3, a bolsa brasileira.

O investimento é feito em reais e você pode acessar empresas como Google, Tesla ou Meta com facilidade, sem precisar enviar dinheiro para fora do Brasil. É uma forma prática de começar a investir no exterior mantendo a operação 100% nacional.

REITs (fundos imobiliários americanos)

Os REITs (Real Estate Investment Trusts) são fundos imobiliários negociados nas bolsas dos Estados Unidos. Eles permitem investir no setor imobiliário norte-americano com foco em distribuição de dividendos, já que são obrigados por lei a distribuir a maior parte dos lucros aos cotistas.

É uma opção interessante para quem busca renda passiva em dólar e diversificação geográfica em um setor tradicionalmente resiliente, como o imobiliário.

Por que investir em renda fixa no exterior? 

A renda fixa internacional, conhecida como bonds, permite ao investidor brasileiro acessar títulos emitidos por governos e empresas de outros países, geralmente denominados em dólares ou euros. É uma forma de internacionalizar o patrimônio com menor volatilidade do que ações, mantendo previsibilidade de retorno.

Os principais tipos são:

Treasuries (títulos do governo americano)

São considerados os ativos de menor risco de crédito do mundo e são emitidos pelo governo dos Estados Unidos e denominados em dólar. 

Funcionam como a renda fixa soberana americana: o investidor empresta dinheiro ao governo e recebe juros periódicos até o vencimento. Com os juros americanos em patamares elevados em 2026, os Treasuries oferecem carrego atrativo com baixíssimo risco de crédito.

Bonds corporativos

São títulos emitidos por empresas privadas, como Apple, Microsoft ou grandes bancos globais. Eles pagam juros maiores que os Treasuries, em troca de um risco de crédito ligeiramente superior, e permitem ao investidor acessar a solidez de empresas globais com fluxo de renda previsível em dólar.

Como acessar a renda fixa no exterior

É possível comprar bonds de três formas: diretamente por corretoras internacionais, como Interactive Brokers; por meio de ETFs de renda fixa listados nas bolsas americanas, como o BND ou o AGG; ou via BDRs de ETFs negociados na B3. 

O valor mínimo varia: ETFs de bonds podem ser comprados a partir de alguns dólares, enquanto bonds individuais costumam exigir aportes a partir de US$ 1.000.

Como abrir conta em corretoras no exterior?

Abrir conta em corretoras internacionais se tornou simples e acessível para brasileiros que desejam investir fora do país. Plataformas como Avenue, Nomad e Interactive Brokers oferecem processos totalmente digitais, que podem ser concluídos em poucos minutos, direto do seu celular ou computador.

Confira o passo a passo básico para começar.

1. Escolha a corretora ideal para o seu perfil

Avenue e Nomad são opções bastante populares entre brasileiros e oferecem navegação em português, suporte local e integração com bancos nacionais. Já a Interactive Brokers é mais tradicional e robusta, indicada para quem busca acesso a um número maior de mercados e produtos financeiros globais.

2. Preencha o cadastro online

Acesse o site ou aplicativo da corretora escolhida e clique para abrir a conta. Você precisará informar dados pessoais, como nome completo, CPF, endereço e profissão. Algumas plataformas também pedem que você responda a perguntas sobre seu perfil de investidor e objetivos financeiros.

3. Envie os documentos solicitados

O próximo passo é o envio dos documentos. Geralmente, são exigidos: uma foto de um documento oficial com foto (como RG ou CNH), comprovante de residência recente e, em alguns casos, uma selfie para validar a identidade.

4. Aguarde a análise e aprovação da conta

Após o envio, a corretora realiza uma análise cadastral. Esse processo costuma levar entre algumas horas e dois dias úteis, dependendo da plataforma. Depois de aprovado, você já poderá acessar sua conta.

5. Transfira os recursos

Com a conta ativa, será possível enviar dinheiro do Brasil para a corretora. Isso pode ser feito por meio de transferência internacional ou, em casos como o da Avenue e Nomad, via TED nacional, com conversão automática para dólar.

6. Pronto para investir

Depois que os recursos estiverem disponíveis na conta, você poderá começar a investir no exterior em ações, ETFs, REITs e outros ativos, de acordo com o seu plano e perfil.

Abrir uma conta internacional é o primeiro passo para quem quer aprender como investir no exterior com segurança e autonomia.

Quanto dinheiro você precisa para começar a investir no exterior?

Muita gente ainda acredita que investir fora do Brasil é algo restrito a quem tem muito dinheiro, mas isso não é verdade. Hoje, é possível dar os primeiros passos com valores bastante acessíveis, dependendo da corretora e do tipo de ativo escolhido.

Algumas plataformas internacionais permitem a compra de frações de ações, o que significa que você pode investir em empresas como Apple, Amazon ou Google com menos de US$ 10. Esse modelo é ideal para quem quer começar pequeno, mas já pensando em longo prazo.

Além disso, há alternativas ainda mais acessíveis, como os BDRs e ETFs, que podem ser comprados diretamente na B3, com valores a partir de R$ 100. Eles permitem diversificação com baixo custo, sendo ótimos pontos de partida para quem quer se expor ao mercado global.

Mais importante do que o valor inicial é a constância nos aportes. Manter uma rotina de investimentos mensais, mesmo que com valores modestos, pode gerar resultados expressivos ao longo do tempo — especialmente quando combinados com a diversificação internacional.

Quanto da carteira devo alocar no exterior?

Não existe uma resposta única, mas existem referências práticas que ajudam a calibrar a decisão. Na Nord Wealth, trabalhamos com algumas diretrizes gerais:

  • mínimo de 15% do patrimônio total internacionalizado: esse percentual tende a crescer conforme o patrimônio aumenta;
  • para patrimônios maiores, estruturas offshore ampliam a eficiência fiscal e jurídica da exposição internacional.

O raciocínio por trás desses números é direto: o Brasil representa apenas 1% do mercado global de capitais. Concentrar 100% do patrimônio aqui é uma aposta desproporcional em um mercado pequeno e sujeito à volatilidade política e cambial. 

Entre 2015 e 2025, o S&P 500 acumulou +235% em dólares, enquanto o Ibovespa entregou +183% no mesmo período.

A internacionalização não precisa ser total, mas precisa existir. O percentual ideal para cada investidor depende do perfil de risco, do horizonte de tempo e da composição atual da carteira.

Como enviar dinheiro para investir no exterior?

Para investir no exterior, o envio de dinheiro pode ser feito de três maneiras principais: serviços especializados, bancos tradicionais e plataformas integradas com corretoras.

Entre os serviços especializados, plataformas como Remessa Online e Wise oferecem transferências práticas e com taxas competitivas. A Remessa Online aplica um spread entre 1% e 1,4%, além de uma tarifa externa. Já a Wise utiliza o câmbio comercial, com IOF de 0,38% ou 1,1%, e taxa de serviço a partir de 0,33%.

Bancos tradicionais também realizam remessas, como o Inter, que oferece uma plataforma de conta global. O banco não cobra taxas de corretagem em investimentos e aplica spreads de câmbio a partir de 0,99%, tornando-se uma opção interessante para movimentações em dólar.

Já plataformas integradas, como Nomad e Avenue, permitem realizar o câmbio e investir diretamente. A Nomad possui spread de câmbio a partir de 2%, enquanto a Avenue trabalha com spreads entre 0,5% e 1,95%, variando conforme o volume e o plano de corretagem escolhido.

Vale lembrar que remessas de até US$ 10.000 não exigem declaração específica ao Banco Central, mas é fundamental manter o controle de todas as movimentações para fins fiscais.

Além da empresa escolhida, o volume de dinheiro movimentado pode impactar diretamente nos custos da operação. Para quem é cliente da Nord Global ou Nord Wealth, é possível acessar condições diferenciadas, com taxas mais competitivas para otimizar seus investimentos internacionais.

Quais os riscos de investir no exterior?

Investir no exterior oferece diversas vantagens, mas também envolve riscos. Conheça os principais:

  • risco cambial: a variação na cotação entre o real e outras moedas pode afetar o valor dos seus investimentos, gerando perdas ou ganhos inesperados;
  • risco de mercado: a volatilidade dos mercados internacionais, influenciada por fatores econômicos e geopolíticos, pode impactar o desempenho dos ativos;
  • risco de juros internacionais: a mudança nas taxas de juros nos EUA, por exemplo, pode afetar o retorno de títulos e outros investimentos internacionais;
  • eventos globais e desastres naturais: pandemias, desastres naturais e outras crises podem impactar a economia global e, consequentemente, seus investimentos no exterior.

Aspectos tributários dos investimentos no exterior

A tributação varia conforme o tipo de ativo e a forma de acesso: se direta (conta em corretora internacional) ou indireta (via B3). Entender as regras antes de investir evita surpresas na declaração do IR.

BDRs e ETFs negociados na B3

  • Ganho de capital na venda: alíquota de 15% para swing trade e 20% para day trade — sem isenção para vendas abaixo de R$ 20.000, diferentemente das ações brasileiras.
  • Dividendos recebidos de BDRs: são tratados como rendimentos do exterior. Nos EUA, há retenção de 30% na fonte. No Brasil, devem ser declarados e tributados pela tabela progressiva do IR via Carnê-Leão

Ações e ativos comprados diretamente no exterior

  • Ganho de capital: alíquota de 15% sobre lucros realizados ao longo do ano. Declarado e pago junto à DIRPF anual do ano seguinte à venda. 

Declaração obrigatória

Todos os bens e direitos no exterior devem ser declarados na ficha "Bens e Direitos" da declaração anual, independentemente do valor. Contas bancárias, ações, ETFs e imóveis no exterior precisam ser informados mesmo que não haja rendimento no período.

Manter registros organizados de todas as operações, como comprovantes de compra, venda e extratos de corretoras, é essencial para declarar corretamente e evitar problemas com a Receita Federal.

Nord Global: a sua melhor opção!

A Nord Global é a solução ideal para investidores brasileiros que desejam acessar o mercado internacional com segurança e curadoria profissional. Como uma assinatura especializada da Nord Research, ela oferece uma abordagem focada exclusivamente em ativos internacionais.

Os investidores recebem orientação especializada em todas as etapas, desde a seleção dos ativos até a execução dos investimentos. Além disso, a plataforma oferece conteúdos educacionais contínuos, ajudando os clientes a aprimorar seus conhecimentos sobre o mercado global.

Por fim, com o Nord Global, você tem acesso a uma combinação de segurança, confiabilidade e investimentos internacionais de alto potencial, sempre com a confiança de um serviço especializado, ideal para quem deseja diversificar sua carteira de forma estratégica.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre investir diretamente no exterior e via BDR? 

Investir diretamente, por corretoras como Avenue, Nomad ou Interactive Brokers, significa comprar o ativo original em dólar, com titularidade direta e acesso a uma gama maior de produtos. Via BDR, o investimento é feito em reais na B3, sem necessidade de remessa internacional, mas com menos variedade de ativos e tributação diferente — sem isenção para vendas abaixo de R$ 20.000, ao contrário das ações brasileiras.

Preciso pagar imposto nos dois países ao investir no exterior? 

Não necessariamente. O Brasil tem acordos de não bitributação com alguns países. Nos EUA, por exemplo, dividendos sofrem retenção de 30% na fonte — esse valor pode ser compensado no IR brasileiro para evitar dupla tributação. Para situações mais complexas, como offshores e trusts, recomenda-se consultar um contador especializado em tributação internacional. 

É seguro investir no exterior? 

Sim, desde que feito por plataformas regulamentadas. Corretoras como Avenue e Interactive Brokers são registradas nos EUA e supervisionadas pela SEC e FINRA. Os ativos ficam custodiados em nome do investidor, não da corretora, e têm proteção de até US$ 500 mil pelo SIPC em caso de falência da corretora. O principal risco não é a segurança da plataforma, mas a volatilidade do mercado e a variação cambial.