O Inter (INBR32) divulgou o balanço do segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 447 milhões, alta de 34%, e ROE de 16,3%. A margem de intermediação financeira superou os 10% pela primeira vez na história do banco.

A seguir, os destaques do resultado, as perspectivas do banco e o que isso significa para quem tem INBR32 em carteira.

Tabela de indicadores do Inter no 2T26: 45,3 milhões de clientes, lucro líquido de R$ 447 milhões, ROE e NIM de 10,1%
 Indicadores do Inter no 2T26, com comparativos trimestral e anual. Fonte: Inter

Sumário

Destaques do Inter (INBR32) no 2T26

Voltando a acelerar o crescimento da sua base de clientes (+1,3 milhão no trimestre e +6 milhões nos últimos 12 meses), o Inter encerrou o 2T26 com 45,3 milhões de clientes, crescimento de +15%, enquanto a base de clientes ativos avançou +16% e a taxa de ativação foi de 58% (+0,6 p.p.).

Com foco na aquisição de clientes com maior potencial de geração de receita e na maior penetração do crédito — ainda que menos do que poderia, diante do cenário atual —, a receita média mensal por cliente ativo (ARPAC) alcançou o patamar recorde de R$ 59, enquanto o custo de servir por cliente (CTS) se manteve estável em R$ 13, com a margem por cliente ativo avançando +16%.

A receita total do Inter cresceu +32%, sendo +39% na receita líquida de intermediação financeira (impulsionado pelo crescimento da carteira de crédito, em especial no consignado privado e no cartão de crédito, que impulsionam ainda mais a margem de intermediação) e +11% na receita de serviços (liderada pela receita de intercâmbio nas transações de cartão de crédito e de seguros).

No lado dos gastos, as despesas totais seguem subindo abaixo da receita, com alta de +18%. Entre os principais componentes, destacam-se o crescimento de +15% nas despesas administrativas (em linha com o crescimento da base e volumes de transações), +18% em pessoal (quadro de funcionários estável, mas time mais sênior e maior participação nos lucros) e +44% depreciação e amortização (investimentos em novos produtos).

Dessa forma, o Inter segue entregando sequencialmente cada vez mais alavancagem operacional. 

O índice de eficiência (despesas/receitas, quanto menor, melhor) caiu para 42% (-5 p.p.), o lucro cresceu +34% (acima dos 30% esperados pelo mercado) e o ROE (retorno sobre o patrimônio) alcançou 16,3%, evolução de +2,4 pontos percentuais.

Carteira de crédito expandida do Inter por produto, do 2T24 ao 2T26, chegando a R$ 55,4 bilhões, e evolução do crédito por cliente ativo 
Carteira de crédito expandida por produto e crédito por cliente ativo, do 2T24 ao 2T26. Fonte: Inter

A carteira de crédito do banco alcançou R$ 55,4 bilhões, considerando a alocação da tesouraria em FIDCs e debêntures divulgada pela companhia para fins de otimização e maximização do ROE. O montante representa um crescimento de +29% (3x maior do que o do mercado).

Entre os destaques, estão o consignado privado, que atingiu R$ 2,8 bi (R$ 0,7 bi no 2T25), o crescimento de +37% no crédito imobiliário e de +23% em cartão de crédito. Nesta última linha, a carteira sujeita a juros avançou +46%, contribuindo para o aumento de +64% na receita de juros de cartão de crédito.

Seis gráficos de inadimplência do Inter do 2T24 ao 2T26: NPL acima de 90 dias, NPL de 15 a 90 dias, formação de NPL, NPL de cartão por safra, custo de risco e índice de cobertura 
Indicadores de inadimplência do Inter: NPL, formação de NPL, custo de risco e índice de cobertura. Fonte: Inter 

Com a mudança no mix da carteira de crédito, a inadimplência (NPL>90d) foi de 5%, sendo que dos +0,6 p.p. de aumento, +0,5 p.p. vieram do consignado privado, deixando ainda mais claro que, desta vez, não se trata de uma deterioração da qualidade da carteira.

Vale destacar que o produto é novo no Brasil e os sistemas ainda não estão totalmente otimizados.

A principal causa de inadimplência tem sido a necessidade de revinculação dos clientes em casos de mudança de emprego, mas uma solução sistêmica será lançada em breve. Além disso, o Inter está implementando seu produto de seguro para o segmento, medidas que devem contribuir para a redução do custo de risco nos próximos meses. É importante lembrar que o produto possui ROE marginal de 30%.

A companhia também adotou uma política contábil mais conservadora no reconhecimento da inadimplência de cartões de crédito, o que gerou um impacto não recorrente no NPL do 2T26.

Por outro lado, o crescimento das duas carteiras impulsionou a receita de juros e levou a margem de intermediação financeira (NIM) a superar o patamar de 10% pela primeira vez na história do banco, atingindo 10,1% (+1,0 p.p.). A NIM após o custo do risco foi de 5,9% (+0,3 p.p.). 

Vale ressaltar que a NIM foi impactada negativamente pela aceleração do IPCA no trimestre passado e beneficiada pela desaceleração do mesmo neste trimestre. Cerca de 55% da exposição ao índice possui hedge.

Por fim, vale destacar o crescimento de +21% no TPV de cartões e Pix — com o Inter já respondendo por 9% das transações Pix no Brasil —, o avanço de +24% nas contas PJ, o aumento de +11% no crédito por cliente ativo e a manutenção do custo de funding em 66% do CDI, mesmo com o cenário desafiador.

Evolução trimestral do lucro líquido e da base de clientes do Inter do 2T23 ao 2T26, com ROE de 16,3% e receita líquida 31,7% maior
 Lucro líquido, base de clientes, ROE e crescimento da receita líquida do Inter por trimestre. Fonte: Inter

Perspectivas para o Inter (INBR32)

Regra dos 50: 48% já no primeiro trimestre 

No primeiro trimestre após a divulgação da “Regra dos 50”, o Inter já alcançou 48% em tal métrica (32% de crescimento da receita + 16% de ROE) e, desde a divulgação do Plano 60/30/30 no 3T22 (que também continua valendo), a empresa já entregou um crescimento de 2,3x no número de clientes ativos (3x na receita), uma melhora de -32 p.p. no índice de eficiência e uma expansão de +18 p.p. no ROE.

Vale destacar que o Inter alcançou a neutralidade de capital neste trimestre, o que significa que o próprio lucro é capaz de sustentar o seu crescimento e todo o excesso de capital (Índice de Basileia de elevados 19,3%) está totalmente livre para ser investido em novos produtos/tecnologias ou na aceleração do crescimento da carteira de crédito (que irá ocorrer quando o cenário permitir, já que a empresa não vai mudar sua postura conservadora apenas para crescer mais rápido).

Apesar do aumento da penetração, apenas 9 milhões dos 45 milhões de clientes do banco possuem produtos de crédito ainda, o que deixa claro que ainda há muito a pescar dentro do próprio aquário (que também não para de crescer). 

Enquanto o ARPAC médio é de R$ 59, os clientes maduros (com uma penetração de crédito maior) entregam um ARPAC de R$ 100. Além disso, vale destacar que as safras mais novas estão iniciando seu relacionamento com um ARPAC de R$ 20 (2x maior do que o início das safras antigas).

Novas frentes de receita de serviços 

Além das iniciativas relacionadas à penetração do crédito, para impulsionar o crescimento da sua receita de serviços, o Inter irá lançar planos de assinatura na vertical de banking, expandir a assessoria de investimentos para clientes de alta renda, começar a vender anúncios em seu marketplace e o seguro para o consignado privado. O banco também deve se beneficiar da continuidade do crescimento das receitas de intercâmbio e do serviço de adquirência (Inter Pag).

A empresa segue focada em aumentar o engajamento de sua base, oferecendo soluções cada vez mais personalizadas e melhorando a qualidade do seu atendimento.

Seu NPS de 88 é referência no setor e, refletindo essa evolução, o Inter saiu da 5ª para a 10ª posição no ranking de reclamações do Banco Central no 2T26, registrando uma melhora de 33% em seu índice.

INBR32 vale a pena no preço atual? 

O fato de as ações terem subido no after market na Nasdaq (EUA) após a divulgação dos resultados na tarde de 5 de agosto e estarem caindo hoje, dia 6, deixa claro que não há algo de errado com o banco, mas sim com o brasileiro, que está bastante preocupado com o cenário macro local e com extrema aversão ao risco, o que prejudica principalmente as empresas de crescimento, mesmo as que estão entregando excelentes resultados e possuem ótimas perspectivas.

Negociando a menos de 9x lucros, com o mercado projetando um crescimento de +34% no lucro de 2026 e de +30% no lucro de 2027 (isso no ápice do pessimismo), continuamos enxergando INBR32 como uma enorme oportunidade, apesar da completa irracionalidade da bolsa no curto prazo (por isso, recomendamos uma alocação menor do que a relação de fundamentos x preço da ação justificaria). 

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A partir do próximo trimestre, o impacto na inadimplência por conta da mudança de mix deve começar a se dissipar, talvez isso traga mais racionalidade à análise do desempenho da empresa.

Perguntas frequentes 

Quantos clientes o Inter tem? 

45,3 milhões ao fim do 2T26, sendo 26,4 milhões ativos — taxa de ativação de 58%. 

Por que a inadimplência do Inter subiu?

Pela mudança no mix da carteira: dos 0,6 ponto percentual de aumento no NPL acima de 90 dias, 0,5 veio do consignado privado, produto novo no Brasil cuja principal causa de atraso é a revinculação por mudança de emprego. 

O que é a Regra dos 50 do Inter?

Métrica que soma o crescimento da receita ao ROE. No 2T26, primeiro trimestre após a divulgação, o banco alcançou 48%.