Canetas emagrecedoras ameaçam as academias? A Smart Fit diz que não
As canetas emagrecedoras podem estar criando uma nova demanda para as academias. Entenda o impacto dos GLP-1 na Smart Fit e na tese de SMFT3
Toda vez que surge uma tecnologia capaz de resolver um problema antigo, o mercado tende a decretar cedo demais quem vai virar vítima dela.
Quando as canetas emagrecedoras explodiram, o consenso rapidamente concluiu que as academias seriam uma das grandes vítimas.
Aconteceu o oposto: quem emagrece com o remédio precisa treinar — e a Smart Fit, maior rede de academias da América Latina, está de portas abertas para essa "nova" demanda.
A dúvida que colocou a tese da Smart Fit em xeque
Nos últimos tempos, um questionamento colocou grandes incertezas sobre a tese de uma das grandes vencedoras da Bolsa brasileira:
“Se uma injeção semanal resolve o emagrecimento, quem precisa pagar uma mensalidade para treinar?”
O raciocínio faz sentido. Com a explosão das canetas emagrecedoras, como o Ozempic e o Mounjaro, o mercado passou a questionar o futuro de tudo que dependia da luta contra a balança, das redes de fast food às academias. No entanto, ele esqueceu de ler a bula.
O efeito colateral do GLP-1 que aumenta a demanda por treino
As canetas do tipo GLP-1 funcionam, e muito. O problema é como.
Ao reduzir drasticamente o apetite, elas fazem o corpo queimar não só gordura. Estudos indicam que, sem intervenção, uma parte relevante do peso perdido pode vir de massa magra e densidade óssea.
A única forma de compensar essa perda, portanto, é a atividade física, em especial o treino de força.
Nesse sentido, um fato interessante é que, na América Latina, a musculação está em primeiro lugar entre as práticas de exercícios físicos, segundo a pesquisa da Health & Fitness Association.
Ou seja, a caneta não substitui a academia. Ela cria um motivo e incentivo clínico para o usuário praticar exercícios.
O que os dados mostram sobre GLP-1 e matrículas em academia
Nos EUA, onde um em cada oito adultos já usa GLP-1, alguns dados começaram a desmontar a visão de um apocalipse do mercado fitness.
Pesquisas demonstram que, entre os usuários desses medicamentos, o número de matrículas em academias aumentou após o início do tratamento.
Uma instituição financeira americana apontou que cerca de 35% das pessoas que começaram a utilizar o medicamento se matricularam em academias.
Entre os menores de 45 anos, o salto foi ainda maior, com 62% virando alunos de academia.
Entre os usuários que já estavam matriculados, 72% relataram ter aumentado a frequência de exercícios.
A consultoria PwC encontrou a mesma dinâmica no Reino Unido, onde mais de 25% dos usuários de GLP-1 aumentaram os gastos com fitness — quase metade deles, especificamente, com matrículas em academias e aulas.

Diante desse cenário, o mercado fitness já percebeu esse potencial.
A Planet Fitness, maior rede de academias low cost dos EUA, firmou parceria de indicação com uma plataforma de telemedicina que prescreve GLP-1, e a chamou de o programa de benefícios mais bem-sucedido da sua história.
O mercado de GLP-1 no Brasil e o impacto na Smart Fit (SMFT3)
Aqui, o gatilho foi puxado em março deste ano, quando caiu a patente da semaglutida, o princípio ativo do Ozempic. Esse movimento já vinha sendo esperado — em janeiro, mostramos por que 2026 poderia ser um ano forte para as farmacêuticas, justamente por causa dessa quebra de exclusividade e da entrada de genéricos no mercado.

A Anvisa avalia cerca de 20 novas canetas de semaglutida e liraglutida, além da chegada dos genéricos que podem ajudar a derrubar os preços.
Nesse contexto, as projeções já se ajustaram a essa nova dinâmica no mercado doméstico: segundo estimativa do UBS, o mercado de GLP-1 deve movimentar cerca de R$ 20 bilhões em 2026, dobrando praticamente o número registrado no ano anterior.
No embalo dessa tendência, no final do ano passado, o JP Morgan listou as ações beneficiadas pela escalada do mercado das canetas, no chamado “pacote Ozempic”.
Entre os nomes selecionados estavam farmácias, varejistas e uma academia bastante conhecida: a Smart Fit (SMFT3).
Tendo como vocação não deixar passar as novas tendências quando o assunto é saúde, a Smart Fit já está se movimentando.
Nas palavras de Diogo Corona, CEO da Smart Fit: “O Ozempic acabou criando mais mercado. As pessoas perdem peso, mas também perdem músculo, e a solução é ir para a academia.”
A rede está instalando balanças de bioimpedância em todas as unidades, exatamente o equipamento que mostra para aquele usuário da caneta quanta massa magra ele está perdendo.
O contraponto honesto sobre as canetas emagrecedoras
Nem tudo são flores, e vale sempre um contraponto.
Um estudo apresentado no congresso ENDO 2026, realizado pela Sociedade de Endocrinologia dos Estados Unidos, mostrou que usuários de GLP-1 passaram a se mover menos espontaneamente após iniciar o tratamento.
Com dados de rastreadores de atividade, a pesquisa verificou que a média caiu de 5.047 para 4.487 passos por dia.
Parece uma má notícia para uma tese como a da Smart Fit, mas não é bem assim.
Se o movimento espontâneo do usuário cai, o treino estruturado fica ainda mais indispensável para o seu tratamento. E para converter essa necessidade em matrícula, são necessários três fatores: preço acessível, academia perto e zero intimidação para quem está começando.
Adivinha qual modelo de negócio entrega tudo isso.
Por que ninguém consegue competir com a Smart Fit?
Aqui entra a pergunta que separa uma boa história de uma boa tese: se o mercado é tão promissor, por que qualquer um não abre uma academia para capturar esse potencial de mercado?
A resposta é que abrir academia é fácil, mas competir com a Smart Fit é quase impossível.
Charlie Munger ensinava que, em certos negócios, a própria natureza das coisas leva ao domínio esmagador de um único player, no famoso efeito “winner takes all”, ou, em bom português, o vencedor leva tudo.

É exatamente onde se encaixa o modelo de academias de alto valor e preço baixo da Smart Fit.
A escala que a empresa atingiu permitiu negociar e firmar parcerias para garantir os melhores pontos comerciais e aumentar continuamente a produtividade por metro quadrado.
Mais do que isso, o seu Plano Black — maior ticket e com acesso ilimitado às mais de 2 mil unidades no continente — cria um efeito de rede que nenhum concorrente pequeno consegue replicar. Atualmente, cerca de 70% da base de clientes já está nele.
Vale ressaltar que a barreira não termina na porta da academia. Com o TotalPass, seu benefício corporativo, a Smart Fit também entra cada vez mais dentro das empresas.
No segundo trimestre de 2026, a companhia totalizou 2,2 milhões de usuários (+70% a.a.) e alcançou um market share de 35% no Brasil, contra 27% no 2T25.
Na prática, o funcionário que recebe o benefício do RH, inclusive aquele que começou a treinar por causa da caneta, cai dentro do ecossistema da companhia. Hoje, os usuários do TotalPass já representam cerca de 13% da frequência média nas unidades próprias no Brasil.
Essa história de sucesso fez a Smart Fit ser 10 vezes maior que o segundo player da América Latina.
Números da Smart Fit no 2T26: crescimento e market share
Essa máquina segue acelerando: no segundo trimestre de 2026, a companhia atingiu 2.170 academias e 5,6 milhões de clientes.
Apenas no Brasil, o número de clientes é de 2,2 milhões, cerca de 1,5% da população adulta do país.

Há um dado ainda mais importante quando pensamos no longo prazo: a penetração de academias na América Latina ainda é de apenas 4%, contra o dobro ou o triplo da observada nos mercados desenvolvidos.
Os estudos da própria companhia indicam espaço para mais 1.520 unidades apenas nos países onde já opera.
O que os GLP-1 adicionam é a possibilidade de uma nova camada na demanda, como conseguimos avaliar pelos dados no mercado.
Se essa mesma dinâmica se repetir no Brasil, na mesma intensidade, será um combustível extra para uma tese que já andava com as próprias pernas. Se vier mais fraca do que o esperado, porém, a tese não quebra; apenas avançará em um ritmo menor.
Vale a pena investir em SMFT3? A tese da Nord
Diante de toda visibilidade, com ou sem caneta, a expectativa é de um crescimento médio de dois dígitos para os resultados nos próximos cinco anos, contribuindo para um potencial de multiplicar o valor de mercado da Smart Fit.
Foi por isso que, no O Investidor de Valor, a Nord iniciou posição em SMFT3 em fevereiro, aproveitando o pessimismo de curto prazo do mercado.
A caneta emagrece. Mas quem está ganhando musculatura é a Smart Fit.
Essa é uma das teses que a Nord acompanha de perto no O Investidor de Valor, carteira com foco em ações com potencial de multiplicar patrimônio no longo prazo.

