Ibovespa sobe 16,7% no ano: saiba onde estão as oportunidades
Ibovespa acumula alta de 16,7% no ano, mas o movimento é concentrado. Entenda o trade eleitoral e onde estão as oportunidades na Bolsa
Após uma sequência negativa no início do último mês (Ibovespa registrou 11 pregões de baixa consecutivos), os investidores da bolsa brasileira voltaram a sorrir nas últimas semanas.
Da metade de agosto para cá, o IBOV acumula alta de +13,1% — movimento semelhante ao registrado por outros índices da B3, como o IDIV (+13,3%) e o SMLL (+12,9%).
No acumulado de 2026, o IBOV sobe +16,7% e o IDIV +14,9%, enquanto o SMLL amarga uma queda de -1,7% (mas que chegou a quase -13% antes da recente recuperação).

Por que o mercado mudou a leitura sobre a eleição
O principal fator que explica o movimento positivo dos ativos de risco brasileiros está ligado ao rumo das eleições, que, até pouco tempo atrás, parecia definido pelo mercado.
Concordando ou não, é inegável que o mercado tem as suas preferências e, até metade de agosto, vinha projetando uma chance relevante de reeleição do atual governo — o que, por consequência, gerou uma precificação pessimista para ações e juros no país.
O humor, porém, virou.
Com um noticiário extremamente agitado vindo de Brasília, novas pesquisas de intenção de voto e aprovação sendo divulgadas e uma deterioração na percepção econômica, o mercado passou a entender que a disputa de outubro não estava tão decidida assim.
Tanto que, em mercados preditivos (que vêm sendo mais eficientes nas projeções eleitorais pelo mundo), a chance de uma reeleição, que chegou próxima a 70% em julho (contra menos de 30% de chance para o segundo colocado), agora já caiu para menos de 50%.

Fluxo estrangeiro e doméstico voltam para a Bolsa brasileira
Com o acirramento na corrida eleitoral e com o mercado passando a enxergar uma possibilidade de mudança (mesmo que ainda longe do ideal) na trajetória fiscal e de juros no país, a Bolsa brasileira voltou a receber fluxo externo e até interno nas últimas semanas.
Em 2026, a B3 chegou a acumular R$ 66 bilhões de fluxo estrangeiro até abril, quase o triplo do saldo líquido acumulado no ano anterior. Apesar da injeção de recursos, o movimento foi explicado por uma migração pontual dos gringos para mercados emergentes no início do ano.
Sem uma tese estrutural de melhora para o Brasil naquele momento, o mesmo fluxo que entrou acabou logo saindo (saldo foi reduzido para R$ 12 bilhões até a mínima de agosto).
De lá para cá, porém, o saldo já caminha para dobrar de tamanho (R$ 22 bilhões atualmente) e chegar próximo ao volume que havia sido registrado em 2025.

Obviamente, o Brasil está longe de ser olhado pelos investidores estrangeiros como um “porto seguro” para seus investimentos, mas movimentos táticos não são ignorados — tanto que, na maioria dos casos, o gringo não faz o famoso “stock picking”, escolhendo empresas a dedo para montar posições. O gringo compra, basicamente, uma “cesta” de ativos brasileiros.
Uma dessas cestas é o EWZ, ETF que replica o movimento das empresas mais líquidas do país (grande parte dentro do Ibovespa) e que registrou, na última semana, a maior demanda por opções de compra (a maioria com vencimentos em novembro e dezembro) desde 2007.

Além do fluxo estrangeiro, vale destacar uma melhora considerável no fluxo doméstico em agosto, que chegou a bater um valor acumulado de R$ 23 bilhões nos últimos dias do mês.
Esse fluxo, composto por investidores pessoa física e institucionais (fundos), praticamente não existia há pouco tempo, tendo em vista que muitos desses investidores não se mostravam otimistas com os rumos do país e ainda estão carregados de instrumentos de renda fixa.
O fluxo doméstico, inclusive, é o que justifica o comportamento das small caps nos últimos dias (se fosse apenas pelo gringo, o SMLL ainda estaria amargando queda profunda no ano).
Ibovespa ≠ Bolsa brasileira
Assim, apesar da alta generalizada na Bolsa brasileira nas últimas semanas, o movimento positivo acumulado em 2026 ainda segue extremamente localizado, com IBOV e IDIV subindo mais do que uma Selic no ano e o SMLL ainda lutando para virar para o positivo.
Esse movimento não foi apenas localizado em poucos índices, mas também em poucas empresas.
Se considerarmos a alta do IBOV, é possível notar que 43% do movimento é explicado por apenas uma empresa, a Petrobras (PETR3 + PETR4), que também vem se beneficiando do forte rali do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio.
Ainda, se levarmos em conta a Vale, vemos que mais de 50% do movimento é explicado por apenas duas empresas. Do outro lado, mesmo que existam ações acumulando baixas relevantes no IBOV, elas possuem um peso muito menor no índice.

Dessa forma, vale sempre lembrar: Ibovespa não é Bolsa brasileira.
Não é porque o IBOV está acumulando forte alta no ano que a Bolsa como um todo está indo bem — muito pelo contrário, ainda mais considerando um mercado em que a maior parte das empresas possui baixo valor de mercado e liquidez reduzida.
Onde estão as oportunidades na Bolsa agora
Considerando essa dinâmica recente, é possível notar que o IBOV passou a apresentar uma melhor precificação nos últimos tempos, inclusive com seu múltiplo de Preço/Lucro voltando a trabalhar acima de suas médias históricas (cerca de 11x lucros).

Analisando as projeções do mercado para os lucros das empresas que compõem o IBOV, o índice negocia a algo mais próximo de 9x lucros (além de 5x Ebitda) para 2027.
Ainda assim, analisando o SMLL, que não teve a mesma precificação otimista nos últimos tempos, os múltiplos são ainda mais atrativos, de 8x lucros e 4x Ebitda para 2027.
Vale destacar ainda que, se tivermos um cenário de juros voltando a cair (de forma estrutural) no país, o potencial de revisão de lucros (para cima) para as small caps é muito maior do que para as grandes empresas que possuem os maiores pesos do IBOV e IDIV.
Com isso, os múltiplos das small caps, que já são menores do que a média, podem ser ainda mais atrativos daqui para frente, tendo em vista uma maior sensibilidade à trajetória de juros.
Entretanto, apesar da assimetria favorável, não podemos ignorar que o momento eleitoral, político, fiscal e econômico no país segue incerto e seria extremamente imprudente da minha parte virar para você e recomendar lotar sua carteira de small caps em um cenário binário.
Mas também não podemos ignorar as grandes oportunidades que o mercado vem oferecendo (as melhores oportunidades da Bolsa aparecem quando ninguém quer comprar).
Para aqueles que possuem um perfil mais arrojado (maior tolerância a risco/volatilidade, visão de longo prazo etc.), há oportunidades em small caps de qualidade que negociam, inclusive, abaixo dos múltiplos médios do próprio SMLL, como Lavvi (LAVV3, 3,1x lucros 27E), Banco Pine (PINE4, 3,7x lucros 27E), Marcopolo (POMO3, 4,6x lucros 27E), entre outras.
O que fazer com seus investimentos?
Se, por outro lado, você está preocupado com o rumo das eleições e o que pode acontecer com o país nos próximos anos, independentemente de quem vença em outubro, e quer saber onde alocar e como proteger sua carteira nesse momento, também podemos ajudar.
Nosso time da Nord Wealth está pronto para te ouvir e mapear sua carteira para entender onde ela está mais exposta à eleição, e mostrar, com números, o que faz sentido ajustar antes do segundo turno. É uma primeira reunião sem custo e sem compromisso.
Não é sobre adivinhar quem vai ganhar a eleição. É sobre garantir que, seja qual for o resultado, o seu patrimônio estará protegido e preparado para o que vem pela frente.

