O lucro da Havan 2025 entrou para a história da companhia. A varejista fundada por Luciano Hang registrou resultados recordes, mesmo em um cenário de juros elevados no Brasil. A empresa entregou crescimento relevante em receita, Ebitda e lucro líquido, além de manter forte geração de caixa.

Em 2025, a companhia alcançou R$ 13,7 bilhões de receita líquida (+16% a/a), R$ 3,2 bilhões de Ebitda (+12% a/a) e R$ 3,4 bilhões de lucro líquido (+28% a/a).

Mesmo sem ser listada na Bolsa de valores, a Havan reporta suas demonstrações financeiras (com relatórios de auditor independente) de forma trimestral e anual.

Inclusive, a companhia possui seu próprio site de RI (Relação com Investidores), com as principais informações sobre sua história, operações e os próprios resultados. 

Abaixo, confira os principais destaques operacionais e financeiros da Havan em 2025 e quais são os planos da companhia para os próximos anos.

Expansão acelerada e ganho de market share

No último ano, a Havan inaugurou sete megalojas, totalizando, agora, 184 megalojas espalhadas por 23 estados e no Distrito Federal (53% na região sul, 25% no sudeste e o restante no centro-oeste, norte e nordeste). 

 Distribuição geográfica das unidades. Fonte: Havan

Com o impulso das novas unidades, a varejista de Brusque registrou o maior fluxo de clientes de sua história, atingindo 190 milhões, uma alta de +7% na comparação com 2024.

Com as vendas nas mesmas lojas subindo +14% e um ticket médio +8% maior, a receita líquida da empresa totalizou R$ 13,7 bilhões, crescimento de +16% na comparação anual — (bem) acima da média do setor e resultando em ganhos de market share.

A expansão, porém, teve um preço. Com o custo de mercadorias vendidas crescendo mais do que a receita (+20%), o lucro bruto teve alta menor, de +11%, totalizando R$ 5,3 bilhões, com uma margem bruta de 38,9% (baixa de -2 p.p. em relação ao ano anterior).

Segundo Luciano Hang, em entrevista para o Brazil Journal, o custo das mercadorias vendidas foi impactado, principalmente, pela alta do dólar e dos custos de frete no início de 2025.

Lucro recorde e forte posição de caixa

Já as despesas com vendas (mais representativas entre as despesas operacionais) cresceram +22,5%, mas foram compensadas por uma variação positiva no valor justo de propriedades para investimento. Assim, o Ebitda subiu +12%, fechando o ano em R$ 3,2 bilhões.

Enquanto isso, o lucro líquido teve crescimento de +28%, atingindo R$ 3,4 bilhões (maior valor anual de sua história). A última linha da DRE foi beneficiada, principalmente, pelo crescimento de +24% do resultado financeiro, que somou R$ 800 milhões no período.

 Resultados consolidados de 2025. Fonte: Havan

Além dos recordes, a companhia manteve-se altamente eficiente em sua alocação de capital, tendo registrado um ROIC (retorno sobre o capital investido) de 22,8% (+2 p.p.). 

Por fim, mas não menos importante, a Havan seguiu elevando seu caixa líquido (mais caixa do que dívida), dessa vez para R$ 4,3 bilhões (+12%), impulsionado por uma robusta posição de caixa de R$ 5 bilhões (+3%) e redução de sua dívida bruta para R$ 679 milhões (-34%). 

Plano de expansão: 500 “Estátuas da Liberdade” no Brasil?

Para 2026, Luciano Hang, apelidado carinhosamente como ‘Véio da Havan’, segue comprometido com o crescimento da companhia.

O plano para o ano atual (em que completa 40 anos de história) é investir cerca de R$ 1,5 bilhão (vs. R$ 800 milhões em 2024), com o objetivo de inaugurar entre 15 e 25 megalojas — em especial, nas regiões norte e nordeste, onde a presença da Havan é menor.

Para sustentar o crescimento, os aportes nas megalojas (em média, R$ 100 milhões/unidade) são feitos por meio de fundos imobiliários e FIDCs dos quais Hang é o único cotista.

No ano passado, a Havan distribuiu cerca de R$ 2,3 bilhões em dividendos para o seu dono, sendo que praticamente todo o capital foi retornado aos seus FIIs e FIDCs

Acelerando a expansão de suas megalojas em 2026 (e considerando o amadurecimento das unidades inauguradas nos últimos anos), a meta da companhia é entregar uma alta de +20% em sua receita no período.

O crescimento, porém, não deve parar por aí.

Segundo Hang, após atingir 200 megalojas em operação, aumentará a meta para 300 e, pensando a longo prazo, enxerga espaço para atingir 500 unidades no país.

Quando será o IPO da Havan?

Com essas metas ousadas, fica a pergunta: será que a Havan estará entre as empresas a entrarem na Bolsa brasileira na próxima abertura de janela de IPOs?

O movimento faria bastante sentido para a companhia, permitindo a ela pisar o pé no acelerador de crescimento e reduzir a necessidade de aportes relevantes por parte de Hang.

Entre 2020 e 2021 (última janela de IPOs vista no país), a Havan até chegou a protocolar um pedido para listar suas ações na Bolsa brasileira, mas acabou desistindo, tendo em vista que o mercado não teria indicado um interesse satisfatório pela oferta pública.

Vale lembrar que, inicialmente, Luciano Hang buscava uma avaliação entre R$ 70 bilhões a R$ 100 bilhões para a Havan e chegou até a escrever uma carta destinada aos potenciais sócios.

Quase seis anos se passaram e a Havan provou que é possível entregar resultados positivos e crescentes mesmo sem um IPO. Contudo, como mencionado anteriormente, listar suas ações poderia acelerar — ainda mais — seus planos de expansão.

O que podemos dizer é que os resultados estão sendo entregues e a visibilidade está sobre a mesa. A depender do preço (valuation), a Havan poderia ser uma ótima oportunidade no futuro.

E aí, você teria Havan na sua carteira? Será que o ticker seria VEIO3