A gestão patrimonial está passando por uma transformação estrutural no mundo. Nesta semana, parte do time da Nord Wealth esteve em Nova York em reuniões com algumas das instituições que mais influenciam a indústria global de investimentos, como Vanguard, BlackRock, JP Morgan, Goldman Sachs e Morgan Stanley.

Ao longo desses encontros, duas ideias apareceram de forma praticamente unânime nas discussões sobre o futuro da gestão patrimonial: a consolidação do modelo fee-based e a busca crescente por carteiras mais eficientes e de menor custo.

Uma semana no centro financeiro do mundo

Estar nesses ambientes significa ouvir diretamente de quem movimenta trilhões de dólares como a gestão patrimonial está evoluindo nos principais centros financeiros do mundo.

É o tipo de conversa ao qual a maioria dos investidores brasileiros simplesmente não tem acesso. E é justamente por isso que fazemos questão de estar lá.

Parte do nosso trabalho é acompanhar essas discussões de perto, entender as mudanças antes que elas cheguem ao Brasil e filtrar o que realmente importa para quem está construindo patrimônio aqui.

Ao longo dos encontros desta semana, duas ideias apareceram de forma praticamente unânime.

Duas mudanças silenciosas que estão redesenhando a indústria de investimentos e que ajudam a entender para onde o mercado deve caminhar nos próximos anos.

A consolidação do modelo fee-based

A primeira tendência é a consolidação do modelo fee-based, no qual o assessor ou consultor é remunerado por uma taxa sobre o patrimônio acompanhado, e não por comissões associadas à venda de produtos.

Nos Estados Unidos, esse movimento já é bastante avançado. O modelo baseado em comissões, que durante décadas foi dominante, vem perdendo espaço rapidamente para estruturas em que a remuneração do consultor está diretamente ligada ao patrimônio do cliente e à continuidade do relacionamento ao longo do tempo.

A lógica por trás dessa mudança é relativamente simples: quanto maior for o alinhamento de incentivos entre consultor e cliente, maior tende a ser a qualidade das decisões de investimento.

Esse movimento aparece com clareza nas projeções da própria indústria.

Gráfico mostrando crescimento de receitas asset-based e queda de comissões na indústria de wealth management
Projeções indicam crescimento das receitas baseadas em patrimônio e redução gradual da participação das comissões. Fonte: BlackRock

As estimativas indicam que as receitas baseadas em asset-based fees continuam crescendo, enquanto a participação das comissões tende a diminuir gradualmente ao longo do tempo.

Mas essa não é apenas uma alteração de modelo de remuneração. Trata-se de uma mudança estrutural na forma como o serviço de gestão patrimonial é prestado.

Nesse formato, o consultor deixa de atuar como um simples distribuidor de produtos e passa a desempenhar um papel muito mais amplo: o de gestor da relação de longo prazo com o patrimônio do cliente.

Isso envolve:

  • decisões de alocação de portfólio;
  • eficiência tributária;
  • planejamento patrimonial;
  • gestão de risco.

E algo que apareceu com bastante frequência nas apresentações: o chamado behavioral coaching.

Ou seja, ajudar o investidor a manter disciplina ao longo dos ciclos de mercado — talvez uma das tarefas mais difíceis e valiosas da gestão patrimonial.

A busca por eficiência e o avanço da gestão passiva

A segunda grande tendência que apareceu com bastante força nas apresentações foi a busca por eficiência estrutural nas carteiras.

Nos últimos anos, investidores institucionais e individuais passaram a olhar com muito mais atenção para uma variável que, historicamente, muitas vezes ficava em segundo plano: o custo total de investimento. Os números ajudam a explicar essa mudança:

Gráfico mostrando migração de fluxos para fundos de menor custo nos Estados Unidos
Fluxos de capital nos EUA mostram migração consistente para fundos de menor custo. Fonte: Vanguard 

Um gráfico apresentado pela Vanguard mostra um dado bastante ilustrativo: nos últimos 15 anos, praticamente 100% dos fluxos líquidos em fundos de ações nos Estados Unidos foram direcionados para o quartil de menor custo.

Em outras palavras: o capital vem migrando de forma consistente para estratégias mais baratas.

Esse movimento está diretamente ligado ao crescimento da gestão passiva, especialmente por meio de ETFs e fundos indexados.

Em vez de tentar constantemente superar o mercado por meio de gestão ativa (muitas vezes com custos elevados), muitos investidores passaram a priorizar estruturas mais eficientes, com maior previsibilidade de resultado líquido.

O novo papel do advisor na gestão patrimonial

Nesse contexto, o papel do advisor também evolui.

Se o portfólio passa a ser construído com blocos eficientes de alocação, o verdadeiro valor agregado do profissional deixa de estar apenas na escolha de ativos específicos e passa a estar em outras dimensões da gestão patrimonial:

  • construção da alocação estratégica de longo prazo;
  • eficiência tributária;
  • planejamento patrimonial;
  • controle de risco;
  • disciplina comportamental ao longo dos

Esse conceito ficou conhecido na indústria como Advisor’s Alpha — a ideia de que o maior valor do consultor financeiro muitas vezes não está em tentar “bater o mercado”, mas sim em ajudar o investidor a capturar melhor o retorno que o mercado já oferece.

O que essas tendências significam para investidores brasileiros

Se há algo que ficou claro ao longo das conversas que tivemos em Nova York é que a indústria global de gestão patrimonial está passando por uma transformação estrutural.

O modelo centrado na distribuição de produtos perde espaço para um modelo focado em três pilares:

  • alinhamento de interesses;
  • eficiência de custos;
  • construção disciplinada de patrimônio no longo prazo.

Nos Estados Unidos, essa mudança já está bastante avançada.

O modelo fee-based se consolidou como padrão da indústria, enquanto a busca por eficiência — seja por meio da gestão passiva, seja por estruturas de menor custo — passou a ocupar um papel central na construção de portfólios.

Na Nord Wealth, esse sempre foi o princípio que norteou nossa atuação.

Nosso modelo é fee-based, o que significa que nossa remuneração está diretamente ligada ao patrimônio que acompanhamos e ao sucesso da relação de longo prazo com nossos clientes — e não à venda de produtos específicos.

Esse alinhamento permite que as decisões de investimento sejam tomadas com um único objetivo: o que faz mais sentido para o investidor ao longo do tempo.

Ao mesmo tempo, buscamos constantemente olhar para os mercados mais desenvolvidos como referência.

A indústria brasileira costuma evoluir alguns anos depois do que já acontece em centros financeiros como os Estados Unidos.

Como a Nord Wealth aplica esses princípios

Parte do nosso trabalho é justamente antecipar essas tendências e incorporá-las à forma como estruturamos as carteiras dos nossos clientes.

No fim do dia, gestão patrimonial não é sobre prever o próximo movimento do mercado.

É sobre construir uma estrutura robusta, eficiente e alinhada para atravessar diferentes ciclos.

Se quiser entender como essas tendências já impactam sua carteira hoje:

Muitas vezes, pequenos ajustes na estrutura já fazem uma grande diferença ao longo dos anos.