Fundos DI, também chamados de fundos de renda fixa referenciados DI, são fundos de investimento que aplicam no mínimo 95% do patrimônio em ativos atrelados ao CDI ou à Selic, como títulos públicos federais e CDBs pós-fixados. Essa exigência é definida pela ANBIMA e garante que a rentabilidade do fundo acompanhe, de perto, a taxa básica de juros do país.

Por investirem majoritariamente em títulos públicos, eles são classificados como de baixo risco. A maioria oferece liquidez diária — com resgate em D+0 ou D+1 —, o que os torna uma das opções para reserva de emergência e para investidores que precisam de acesso rápido ao capital sem abrir mão de rentabilidade.

Ao contrário da poupança, que rende 70% da Selic quando a taxa básica está abaixo de 8,5% ao ano, os fundos DI buscam acompanhar 100% do CDI, índice que historicamente caminha muito próximo à Selic. O rendimento líquido, no entanto, depende da taxa de administração cobrada pelo fundo e da tributação, que inclui IR regressivo e o come-cotas semestral. 

Assim como um condomínio reúne moradores que dividem os custos de um prédio, um fundo DI reúne vários investidores que aplicam recursos em conjunto — cada um participando proporcionalmente ao valor investido, com um gestor profissional responsável pelas decisões de alocação. 

Ao longo deste artigo, você vai entender como funciona a composição da carteira, quais os custos envolvidos, como a tributação impacta o rendimento líquido e quando ele faz mais sentido do que alternativas como CDB e Tesouro Selic.

Sumário

Como é composta a carteira de um fundo DI?

Pela classificação da ANBIMA, Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, um fundo DI precisa manter no mínimo 95% do patrimônio em ativos atrelados ao CDI ou à Selic — principalmente títulos públicos federais pós-fixados, como o Tesouro Selic, e CDBs pós-fixados de baixo risco de crédito. Os 5% restantes podem ser alocados em outros ativos de renda fixa, como LCI e LCA.

Essa regra de composição é o que garante a previsibilidade do fundo: independentemente do cenário de mercado, a rentabilidade acompanha de perto a variação do CDI — índice que historicamente caminha muito próximo à taxa Selic.

Como funcionam os fundos DI?

Para entender se um fundo DI faz sentido para o seu momento financeiro, é importante conhecer três características principais: rentabilidade, liquidez e custos — que incluem taxa de administração, IR e come-cotas. Confira cada uma a seguir. 

Rentabilidade

Os fundos DI acompanham o desempenho da taxa do CDI, influenciada pela inflação, cenário político e econômico do país etc. Em geral, quando a Selic sobe, o CDI também tende a subir. Assim, essa taxa pode ter oscilações ao longo do tempo.

Contudo, isso representa uma porcentagem pequena, em torno de 0,01% ao dia. Logo, a rentabilidade dos títulos que compõem os fundos DI aumenta ou diminui conforme as variações do CDI.

Ou seja, quando um investidor aplica em um fundo DI, ele espera obter uma rentabilidade próxima à variação do CDI. Esse fundo tem rentabilidade diária e, mesmo ao sacar o valor investido no dia seguinte, já é possível aproveitar o acréscimo, conforme o CDI.

Liquidez

É possível resgatar o valor rapidamente sem que haja desconto no valor. Alguns fundos permitem o resgate em até 1 dia após a solicitação e outros no mesmo dia em que esse processo é realizado.

Custos e tributação

O rendimento líquido de um fundo DI depende de três fatores: a taxa de administração, o Imposto de Renda e o come-cotas. Entender como cada um funciona é essencial para comparar fundos e avaliar se o retorno final compensa.

Taxa de administração

É o custo cobrado pela gestora para administrar o fundo — expresso como percentual anual sobre o patrimônio investido. 

Essa taxa costuma variar entre 0% e 1% ao ano. Fundos DI com taxas acima de 1% tendem a entregar rentabilidade líquida inferior a alternativas diretas como o Tesouro Selic, que não cobra taxa de administração. Por isso, é o primeiro critério a avaliar na hora de escolher onde aplicar. 

Imposto de Renda

O IR incide apenas sobre o rendimento, não sobre o valor total investido, e segue a tabela regressiva: quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, menor a alíquota cobrada no resgate.

Prazo de aplicaçãoAlíquota de IR
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20,0%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15,0%   

Para resgates realizados em menos de 30 dias, há também a cobrança de IOF — com alíquota que vai de 96% no primeiro dia até 0% a partir do 30º dia.

Come-cotas

O come-cotas é um mecanismo de antecipação do IR exclusivo dos fundos de investimento — não existe no Tesouro Selic nem no CDB. Ele é cobrado automaticamente duas vezes por ano, sempre no último dia útil de maio e novembro, com alíquota de 15% sobre o rendimento acumulado no período.

Na prática, o come-cotas reduz o número de cotas do investidor sem que ele precise fazer nenhuma movimentação — daí o nome. O impacto principal é sobre os juros compostos: como parte do rendimento é antecipada ao governo a cada seis meses, o capital que continua rendendo é menor do que seria sem essa cobrança.

No resgate final, o IR pago via come-cotas é descontado do imposto total devido — ou seja, não há dupla tributação. Mas o efeito dos juros compostos perdido ao longo do tempo é real e deve ser considerado na comparação com produtos isentos de come-cotas.

Quais são as principais vantagens dos fundos DI?

Esse tipo de investimento é vantajoso pela segurança oferecida, já que a maioria das aplicações é feita em títulos emitidos pelo Governo Federal.

Este é considerado bom pagador, por ter muita capacidade de arrecadar dinheiro com impostos, por exemplo. Então, investir nos melhores títulos públicos pode ser uma opção segura.

Outra vantagem é a facilidade de resgate, permitindo que o investidor tenha o dinheiro investido em pouco tempo. Isso é especialmente útil na reserva de emergência, voltada para proteger o seu patrimônio.

Por fim, também mencionamos que, em geral, a aplicação mínima inicial é baixa.

Quais são as principais desvantagens dos fundos DI?

Eles são opções com rentabilidade “baixa”, até por terem uma alta taxa de administração — cerca de 1% ao ano —, que ‘’consome’’ boa parte dos ganhos. Além disso, os fundos DI não são protegidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

Isso significa que, em caso de falência ou outro problema das instituições financeiras que comprometa o pagamento aos investidores, não existe indenização.

No entanto, essa desvantagem pode ser compensada pela segurança de pagamento do Governo. Ainda assim, você pode perder todo o seu dinheiro com fundos de investimento se não tomar alguns cuidados, como, por exemplo, conhecer o gestor.

Fundo DI ou Tesouro Selic: qual escolher?

Ambos acompanham a Selic e são considerados de baixo risco — a principal diferença está nos custos e no controle sobre o investimento.

CaracterísticaFundo DITesouro Selic
EmissorGestora privadaGoverno Federal
Taxa de administração0% a 1% ao anoSem taxa de administração
Come-cotasSim — maio e novembroNão
LiquidezD+0 ou D+1D+1
TitularidadeCotas do fundoTítulo no seu CPF
FGCNãoNão
Margem de garantia na BolsaNãoSim

Para a maioria dos investidores, o Tesouro Selic tende a ser mais eficiente: sem taxa de administração e sem come-cotas, o rendimento líquido costuma ser superior ao de fundos DI com taxas mais altas. 

O fundo DI pode ser vantajoso quando a taxa de administração é zero ou próxima disso — e quando a plataforma oferece resgate em D+0, um dia mais rápido que o Tesouro. 

Fundo DI ou Tesouro Reserva: qual escolher?

O Tesouro Reserva foi lançado em maio de 2025 com rendimento atrelado à Selic, liquidez 24 horas e maior eficiência tributária — e passou a competir diretamente com fundos DI e CDBs de liquidez diária para a reserva de emergência.

CaracterísticaFundo DITesouro Reserva
RentabilidadePróxima a 100% do CDI, descontada a taxa100% da Selic
Taxa de administração0% a 1% ao anoSem taxa de administração
Taxa de custódiaNão0,20% ao ano — isenta até R$ 10 mil
Come-cotasSim — maio e novembroNão
IRRegressivo + come-cotas semestralRegressivo — cobrado só no resgate ou vencimento
LiquidezD+0 ou D+124 horas
FGCNãoNão — risco soberano
VencimentoSem vencimento fixo10 anos

Para quem está montando reserva de emergência agora, o Tesouro Reserva tende a ser mais eficiente: sem come-cotas, com isenção de custódia até R$ 10 mil e IR diferido por até 10 anos, o rendimento líquido supera o da maioria dos fundos DI. O fundo DI ainda pode fazer sentido em plataformas que oferecem resgate em D+0 — um dia mais rápido que o Tesouro Reserva em alguns casos.

Fundo DI ou CDB: qual escolher?

Ambos são atrelados ao CDI e indicados para reserva de emergência — mas têm estruturas, custos e proteções diferentes.

CaracterísticaFundo DICDB
Tipo de produtoFundo coletivoTítulo individual
RentabilidadePróxima a 100% do CDI, descontada a taxaPode superar 100% do CDI
Taxa de administraçãoSimNão
Come-cotasSimNão
FGCNãoSim — até R$ 250 mil por CPF por instituição
LiquidezD+0 ou D+1 na maioriaDepende do CDB: diária ou com prazo fixo
TributaçãoIR regressivo + come-cotasIR regressivo apenas no resgate

O CDB pode ser mais vantajoso em diversos casos: tem cobertura do FGC, não sofre come-cotas e muitos CDBs de liquidez diária rendem 100% do CDI ou mais. O fundo DI pode fazer sentido quando o acesso à plataforma facilita a gestão ou quando a taxa de administração é zero.

É importante ressaltar que, pela alocação majoritariamente em títulos públicos, os fundos DI tendem a ter menor risco.

Fundo DI ou Poupança: qual escolher?

A poupança ainda é o investimento mais popular do Brasil — mas raramente é a melhor escolha.

CaracterísticaFundo DIPoupança
RentabilidadePróxima a 100% do CDI70% da Selic quando Selic ≤ 8,5% a.a.
TributaçãoIR regressivo + come-cotasIsenta de IR
FGCNãoSim — até R$ 250 mil
LiquidezD+0 ou D+1Diária, mas com rendimento por aniversário
RiscoBaixoBaixo

Mesmo descontando IR e come-cotas, o fundo DI com taxa de administração baixa tende a superar a poupança na maioria dos cenários de juros. A poupança só se torna competitiva em cenários de Selic muito baixa — abaixo de 6% ao ano —, situação que o Brasil não vive desde 2021. Para reserva de emergência, o fundo DI ou o CDB de liquidez diária são alternativas mais eficientes.

Quais são as alternativas ao fundo DI?

Para quem busca baixo risco e liquidez, existem outras opções que podem entregar rentabilidade líquida superior à maioria dos fundos DI, dependendo do perfil e do objetivo:

Tesouro Selic

Título público federal que acompanha a Selic, sem taxa de administração e sem come-cotas. Resgate em D+1. Para quem não precisa de resgate no mesmo dia, tende a ser mais eficiente que a maioria dos fundos DI.

Tesouro Reserva

Lançado em maio de 2025, rende 100% da Selic com liquidez 24 horas, sem come-cotas e com isenção de taxa de custódia para aplicações até R$ 10 mil. Atualmente, é considerado uma das melhores opções para reserva de emergência do investidor pessoa física.

CDB de liquidez diária

Emitido por bancos, com cobertura do FGC de até R$ 250 mil por CPF por instituição. Muitos CDBs de liquidez diária rendem 100% do CDI ou mais, sem come-cotas e sem taxa de administração. Resgate geralmente em D+0 ou D+1.

LCI e LCA

LCIs e LCAs são isentos de IR para pessoa física, o que pode resultar em rentabilidade líquida superior mesmo com taxa bruta menor. Costumam ter prazo mínimo de carência, o que os torna menos indicados para reserva de emergência, mas eficientes para objetivos de médio prazo.

Como investir em fundos DI?

1. Abra conta em uma corretora de valores

Escolha uma corretora independente — bancos tradicionais costumam oferecer fundos com taxas de administração mais altas e menor variedade. 

2. Defina seu perfil e objetivo

Fundos DI são indicados para reserva de emergência e objetivos de curto prazo. Se o objetivo for outro, pode haver alternativas mais eficientes, como CDB, Tesouro Selic ou Tesouro Reserva. 

3. Compare as opções disponíveis

Avalie três critérios antes de aplicar: taxa de administração (quanto menor, melhor), prazo de resgate (D+0 ou D+1) e histórico de rentabilidade líquida do fundo. 

4. Aplique e acompanhe

Transfira o valor para a conta da corretora e invista diretamente pela plataforma. Acompanhe o rendimento líquido periodicamente, não apenas o bruto, para garantir que o fundo continua sendo a melhor opção para o seu momento.

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Perguntas frequentes 

Vale a pena investir em fundo DI? 

Depende da taxa de administração e do seu objetivo. Para reserva de emergência, um fundo DI com taxa zero ou próxima disso pode ser uma boa opção, especialmente se oferecer resgate em D+0. No entanto, alternativas como Tesouro Selic, Tesouro Reserva e CDB de liquidez diária tendem a entregar rentabilidade líquida superior na maioria dos cenários, por não terem come-cotas. 

Fundo DI é seguro? 

Sim. Ele é classificado como investimento de baixo risco pela ANBIMA, pois aplica pelo menos 95% do patrimônio em títulos públicos federais. No entanto, não tem cobertura do FGC. Em caso de falência da gestora, os ativos do fundo são separados do patrimônio da empresa e protegidos por lei — o risco real é o do emissor dos títulos, não da gestora. 

Qual o valor mínimo para investir em fundo DI? 

Varia conforme a plataforma e o fundo. Algumas corretoras oferecem fundos DI com aplicação mínima a partir de R$ 1, especialmente em plataformas digitais. Fundos de grandes bancos tradicionais costumam exigir valores mais altos, entre R$ 500 e R$ 1.000. 

Qual o rendimento de R$ 1.000 em um fundo DI? 

Com CDI a 14,40% ao ano e taxa de administração zero, R$ 1.000 renderiam aproximadamente R$ 144 brutos em 12 meses. O rendimento líquido, após IR (alíquota de 20% para aplicações entre 181 e 360 dias) e come-cotas, ficaria em torno de R$ 114,47. Quanto maior a taxa de administração cobrada pelo fundo, menor o retorno final. Por isso, fundos com taxas acima de 0,5% ao ano tendem a perder para alternativas sem come-cotas, como CDB e Tesouro Selic.