Fras-le (FRAS3) recua no 1T26, mas mantém rentabilidade sólida
A Fras-le (FRAS3) registrou queda no lucro e no Ebitda no 1T26. Veja os destaques dos resultados e se ainda vale investir
A Fras-le (FRAS3) registrou uma receita líquida de R$ 1,2 bilhão no 1T26, queda de -6% na comparação anual, enquanto o Ebitda foi de R$ 210 milhões, -17% menor quando comparado com o mesmo trimestre do ano passado. Já o lucro líquido foi de R$ 44 milhões, baixa de -35% em relação ao 1T25.

Destaques operacionais e financeiros
Em Reposição (Aftermarket), segmento que representou 87% da receita total no 1T26, a companhia reportou recuo de -9% na receita na comparação anual.
O mercado interno foi o principal detrator da receita da principal linha da Fras-le, apresentando queda de -24% a/a. Como temos acompanhado nos últimos trimestres, o cenário segue desafiador diante da desaceleração da atividade econômica e do ambiente de juros elevados. Além disso, o desempenho também refletiu os impactos da migração do sistema de ERP e da implantação da automação logística no CD de Extrema (MG).
Já no mercado externo, considerando exportações a partir do Brasil e operações internacionais, a receita no 1T26 ficou praticamente estável, com leve alta de +1,4% a/a. O bom desempenho da Dacomsa, no México, mais do que compensou a menor demanda nos EUA e o ambiente mais competitivo na Argentina.
Os números do mercado externo ainda foram impactados negativamente pelo efeito cambial, devido à desvalorização do dólar entre os períodos. Em dólar, a receita internacional cresceu +13% a/a.
Em Montadoras, segmento que representou apenas 9% da receita total, a receita apresentou crescimento de +31% a/a. O desempenho foi impulsionado, principalmente, pela alta de +53% da receita no mercado interno, em função do processo de normalização dos estoques das montadoras no trimestre. No mercado externo, a receita cresceu +4% a/a, refletindo principalmente a recuperação do mercado de pesados nos EUA.
Diante dessa dinâmica, seguimos observando pressão do mercado interno sobre os resultados consolidados da Fras-le. Assim, no 1T26, a receita líquida alcançou R$ 1,2 bilhão, recuo de -6% a/a.
Do lado dos custos, houve queda de -5% a/a, refletindo menor diluição dos custos fixos. Dessa forma, o lucro bruto apresentou recuo de -9%, enquanto a margem bruta encerrou o 1T26 em 33,1%, retração de -1,1 p.p.
Já as despesas totais cresceram +2% a/a, devido a uma provisão registrada no trimestre, que mais do que compensou a redução das despesas com vendas e administrativas.
Assim, diante do trimestre mais fraco, o Ebitda ajustado totalizou R$ 209,7 milhões, queda de -17% a/a. A margem Ebitda encerrou o período em 16,8%, retração de -2,2 p.p.
O lucro líquido da Fras-le totalizou R$ 44,1 milhões, queda de -37% a/a.
Em relação à estrutura de capital, a companhia reportou dívida líquida de R$ 1,4 bilhão no 1T26, alta de +2% t/t e queda de -29% a/a. Dessa forma, a alavancagem encerrou o período em 1,6x Ebitda, contra 1,5x no 4T25 e 2,6x no 1T25.
O fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 27 milhões. Apesar da queima de caixa, o trimestre mostrou desaceleração desse movimento, uma evolução relevante frente aos períodos anteriores, refletindo principalmente o fluxo de caixa operacional positivo e a redução dos investimentos.
Por fim, a Fras-le entregou ROE de 10,4% e ROIC de 14,2%. Mesmo ainda impactada pelos resultados mais fracos e pelos investimentos recentes, a rentabilidade segue em bons níveis.
Perspectivas futuras da Fras-le (FRAS3)
A partir de agora, com as operações da Dacomsa consolidadas e um cenário ainda desafiador no mercado doméstico, a Fras-le precisará entregar crescimento orgânico, captura de sinergias e ganhos de eficiência para manter a consistência dos resultados.
Para 2026, o guidance de receita está entre R$ 5,6 bilhões e R$ 6,2 bilhões, representando crescimento de aproximadamente +7,5% a/a, considerando o ponto médio da faixa. O guidance também projeta margem Ebitda entre 17,5% e 20%.
Assim, considerando o ponto médio da receita e o piso da margem, o crescimento esperado do Ebitda seria próximo de +6%.
Vale a pena investir na Fras-le (FRAS3)?
Os desafios seguem relevantes para a Fras-le, principalmente se o ambiente macro doméstico continuar pressionado. Por outro lado, o histórico de execução da companhia é consistente, sendo a aquisição da Nakata um dos seus principais casos de sucesso.
Contudo, mesmo com a expansão da lucratividade, a assimetria já não parece tão favorável, com FRAS3 negociando a 24x lucros. Portanto, mantemos nossa posição em Fras-le no Nord Deep Value.
Quem é a Fras-le (FRAS3)?
Fundada em 1954, a Fras-le atua no desenvolvimento, fabricação, comercialização e importação de materiais de fricção, componentes para sistemas de freios, amortecedores, suspensão e direção, além de componentes de motor da América Latina, sendo uma das líderes do mercado mundial. Entre as marcas, destacam-se: Fras-le, Nakata, Fremax, Controil e Juratek.
A companhia detém liderança em diversas linhas de produtos, mas principalmente nas linhas de fricção e componentes para sistemas de freios. Com uma presença global, atualmente mais da metade de sua receita provém do mercado internacional.
Com mais de 33 mil SKUs, a companhia tem como foco o segmento de Reposição (Aftermarket), que representa cerca de 90% da receita, sendo líder de mercado em diversas linhas de produtos, principalmente naqueles considerados não eletivos (itens de segurança com substituição recorrente ao longo do tempo). No mercado de Montadoras (10% da receita total), a companhia detém um market share de aproximadamente 90% no Brasil.
Qual o dividend yield da Fras-le (FRAS3)?
Considerando as distribuições realizadas nos últimos 12 meses, o dividend yield atual da Fras-le encontra-se em 3,2%.

