As mudanças aprovadas no uso do FGTS dentro do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) devem gerar impactos relevantes no setor imobiliário, especialmente para empresas focadas na baixa renda, como a MRV. As alterações ampliam o acesso ao crédito habitacional e tendem a aquecer ainda mais o mercado.

FGTS amplia acesso ao crédito do MCMV

O Conselho Curador do FGTS aprovou mudanças no Minha Casa, Minha Vida que elevam a renda máxima das famílias elegíveis e aumentam o valor dos imóveis que podem ser financiados. A medida ainda precisa ser oficializada no Diário Oficial da União, o que deve ocorrer nos próximos dias.

Com a aprovação, o limite de renda familiar mensal da faixa 1 passou de R$ 2.850 para R$ 3.200. Na faixa 2, o teto subiu de R$ 4.700 para R$ 5.000, enquanto na faixa 3 avançou de R$ 8.600 para R$ 9.600. Já na faixa 4, voltada à classe média, a renda máxima passou de R$ 12 mil para R$ 13 mil.

MCMV para classe média

O governo vinha concentrando esforços nas faixas mais baixas, mas agora também amplia o acesso à casa própria para a classe média.

Mesmo com a Selic elevada (em 14,75%), as taxas de financiamento dentro do MCMV variam entre 4% e 10% ao ano, enquanto fora do programa giram em torno de 12% ao ano. Essa diferença torna o programa ainda mais atrativo para os compradores.

O aumento do teto dos imóveis também traz um benefício adicional ao estimular lançamentos imobiliários, devido ao impacto econômico na cadeia produtiva e na geração de empregos da construção civil.

Além disso, programas estaduais e municipais ampliam subsídios, enquanto a evolução dos marcos regulatórios municipais, com outras capitais seguindo os passos de São Paulo, permite maior aproveitamento de terrenos, especialmente em regiões centrais.

Impacto das mudanças para a MRV (MRVE3)

Com maior acesso ao crédito subsidiado, empresas como a MRV tendem a se beneficiar diretamente. O público-alvo da companhia se encaixa nas faixas atendidas pelo programa, o que pode impulsionar vendas e lançamentos.

O Brasil ainda possui um déficit habitacional próximo de 6 milhões de moradias, o que sustenta um cenário estrutural positivo para o setor. Empresas que atuam na baixa renda têm conseguido, ao mesmo tempo, acelerar lançamentos, aumentar preços, elevar o VSO (velocidade de vendas) e reduzir o pro soluto (financiamento próprio dos clientes), o que chama atenção.

Riscos com custos de construção

Apesar do cenário favorável, há fatores de atenção. A alta do preço do petróleo pode pressionar os custos de materiais, enquanto mudanças no mercado de trabalho, como o possível fim da escala 6x1, podem elevar despesas com mão de obra e impactar a rentabilidade das construtoras.

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