4 erros que aparecem até nas melhores carteiras de investimento
Rentabilidade alta não corrige um planejamento incompleto. Confira os 4 erros que a Nord Wealth encontra até nas carteiras mais bem-sucedidas
Há algumas semanas, recebi um empresário para uma reunião de diagnóstico. Era um patrimônio elevado, construído ao longo de mais de duas décadas de indústria. Ele abriu o notebook antes mesmo de o café chegar e me mostrou, com um orgulho legítimo, uma planilha impecável: a carteira dele havia rendido 112% do CDI nos últimos três anos.
“Caio, quero saber o que vocês fariam de diferente.”
Passei a hora seguinte fazendo as perguntas que ele não esperava:
- O que acontece com esse patrimônio se algo acontecer com você amanhã?
- Quanto de imposto a sua família pagaria e em quanto tempo teria acesso ao dinheiro?
- Por que 100% dos ativos estão no Brasil, na mesma moeda da sua empresa, dos seus imóveis e da sua renda?
- Quem ganha o quê em cada produto dessa carteira?
No fim da reunião, ele ficou alguns segundos em silêncio e resumiu melhor do que eu conseguiria: “Eu passei vinte anos otimizando e focando na coisa errada.”
O diagnóstico que revela os erros mais comuns
Essa cena se repete com uma frequência quase constrangedora.
No comitê, costumamos dizer que analisar uma carteira nova é como um médico recebendo exames: antes mesmo de abri-los, você já desconfia do que vai encontrar.
Após centenas de diagnósticos aqui na Nord Wealth, quatro erros aparecem em muitos deles. E o detalhe que mais me chama a atenção: não são erros de gente desinformada. São erros de gente inteligente e bem-sucedida que foi “treinada” pela indústria para olhar e dar atenção à coisa errada.
1. A obsessão pela rentabilidade
O erro mais comum é também o mais contraintuitivo: tratar rentabilidade como a variável central do plano. Na fase de construção de patrimônio, ela raramente é.
Fizemos uma conta simples: um investidor que aporta R$ 3 mil por mês e consegue extraordinários 13% ao ano termina duas décadas com cerca de R$ 3,1 milhões. Outro que aporta o dobro, com uma rentabilidade bem mais modesta de 9% ao ano, chega a R$ 3,8 milhões, R$ 750 mil à frente, sem depender de genialidade nenhuma.

Rentabilidade importa (e muito) quando o patrimônio já é grande. Mas ela nunca substitui a pergunta anterior: rentabilidade para quê?
Sem uma definição clara de liberdade financeira (quanto você precisa, quando e com que renda), bater o CDI é só um placar sem um jogo claro por trás. Ah, e, inclusive, muitas vezes o risco corrido por quem almeja uma alta rentabilidade nem é necessário, considerando uma liberdade financeira já atingida ou em vias de ser.
2. Nenhuma linha de planejamento tributário e sucessório
O segundo erro é o mais silencioso e, no limite, o mais caro. É como um seguro: sua importância só aparece quando dá problema.
A imensa maioria das carteiras que analisamos não tem uma linha sequer de planejamento sucessório: nenhum testamento, nenhuma previdência com beneficiários bem definidos, nenhuma estrutura pensada.
O resultado prático aparece na pior hora possível. Um inventário no Brasil combina ITCMD que pode chegar a 8%, honorários advocatícios, custas e um patrimônio que pode ficar travado por anos até a partilha sair.

O contraste é que os instrumentos que evitam boa parte disso são simples e baratos: previdência bem estruturada, doação em vida com usufruto, testamento e holding, quando faz sentido.
3. Alocação internacional simbólica (ou inexistente)
O Brasil representa cerca de 2% da economia global e menos de 1% do mercado acionário mundial. Ainda assim, a carteira típica que chega para diagnóstico tem de 95% a 100% em ativos locais. Tudo na mesma moeda, sob o mesmo risco jurídico e, muitas vezes, o mesmo CEP da empresa, dos imóveis e da renda da família.

Não se trata de achar que “lá fora é melhor”. Trata-se de gestão de risco elementar: quem tem a vida inteira precificada em real não deveria ter também o patrimônio inteiro precificado em real.
4. A carteira que foi vendida, não construída
O quarto erro costuma explicar os três primeiros. Quando abrimos as posições, encontramos um padrão: NTN-Bs longas, fundos caros e crédito privado que remunera muito bem a quem distribui.
Quando a remuneração de quem recomenda depende do produto, a carteira tende a refletir os incentivos de quem vendeu, e não os objetivos de quem comprou.
O que fizemos, então, com o empresário do início?
Nenhuma genialidade. Apenas invertemos a ordem das perguntas.
Primeiro, definimos o número da liberdade financeira dele: a renda que a família precisa, a partir de quando e por quanto tempo.
Segundo, estruturamos a sucessão, com previdência redesenhada, beneficiários definidos e o desenho societário adequado ao caso.
Terceiro, construímos a parcela internacional da carteira de forma gradual e planejada, com eficiência tributária. Só então, por último, discutimos produto por produto e substituímos o que existia para remunerar terceiros pelo que existe para cumprir o plano dele.
A ironia é que a rentabilidade tende a melhorar justamente quando deixa de ser o centro da conversa: menos custo, menos giro, menos imposto, menos erro comportamental.
Mas o ganho principal não aparece no extrato. Aparece na pergunta que ele me fez ao final do processo, bem diferente da primeira: “Então eu e minha família estamos protegidos em qualquer cenário?”. Essa, sim, é a pergunta certa.
Patrimônio grande não corrige planejamento ruim
Após tantos diagnósticos, aprendi uma coisa que carrego comigo: patrimônio grande não protege ninguém de plano pequeno.
Se este artigo te deixou com a sensação incômoda de que algum desses quatro erros mora na sua carteira, essa sensação provavelmente está certa. A boa notícia é que todos os quatro têm solução, quase sempre mais simples do que parece.
A Nord Wealth é hoje a wealth mais premiada do Brasil, com mais de R$ 13 bilhões sob custódia e a única Top Performer nos rankings XP e BTG. Esses diagnósticos que fazemos, ponto a ponto, são a base do trabalho que nos trouxe até aqui — e são exatamente o que te oferecemos agora.
Fazemos esse diagnóstico com você: revisamos sua carteira ponto a ponto contra os quatro erros, calculamos o custo real de cada um no seu caso e desenhamos o plano para corrigi-los.

