A Eneva (ENEV3) registrou uma receita líquida de R$ 6,05 bilhões no 4T25, alta de +24,5% na comparação anual. Já o Ebitda foi de R$ 1,49 bilhão (+145%), enquanto o lucro líquido totalizou R$ 57 milhões (vs. prejuízo de R$ -1,07 bilhão no 4T24).

 Destaques financeiros. Fonte: Eneva RI

Destaques operacionais e financeiros

O Ebitda da Eneva atingiu R$ 1,49 bilhão no 4T25, avanço expressivo de +145%, mas que foi impulsionado pelo aumento de R$ 658 milhões no Ebitda das usinas de carvão, decorrente, principalmente, da contabilização de R$ 635 milhões relacionados a perdas por expectativa de recuperabilidade desses ativos (impairment) no 4T24.

Além disso, houve incremento de R$ 143 milhões no Ebitda referente aos ativos de geração a gás da UTEs Linhares, Tevisa e Povoação e de R$ 39 milhões no Ebitda de usinas de óleo, além de aumento de R$ 75 milhões em comercialização de gás off-grid e R$ 72 milhões em comercialização de energia. 

O resultado financeiro (negativo) em queda de -72% ainda contribuiu para que o lucro líquido da Eneva totalizasse R$ 57 milhões, revertendo prejuízo de R$ -1,07 bilhão no mesmo período do ano anterior. 

A companhia ainda registrou um fluxo de caixa operacional de R$ 1,32 bilhão, +16% acima dos R$ 1,14 bilhão registrados no 4T24. Por fim, com a dívida liquida crescendo +25% e atingindo cerca de R$ 17 bilhões, a alavancagem financeira (dívida líquida/Ebitda) da Eneva subiu para 2,61x (+0,19 p.p.). 

Perspectivas futuras da Eneva (ENEV3)

O bom desempenho trimestral da Eneva também contribuiu para um sólido resultado consolidado no último ano. Em 2025, a companhia registrou uma receita líquida de R$ 18,42 bilhões (+62%), um Ebitda de R$ 6,51 bilhões (+67%) e um lucro líquido de R$ 1,16 bilhão – muito acima dos R$ 42 milhões registrados em 2024.

O resultado reflete a concretização de importantes avenidas de crescimento, com intensificação de novos modelos de negócios na cadeia de gás, a contribuição dos ativos adquiridos no 4T24 e o início dos contratos regulados das usinas termelétricas Parnaíba VI, Parnaíba IV, Geramar I e II e Viana.

Para 2026, a expectativa é de continuidade da recuperação de seus números operacionais e de seus resultados. Vale destacar que, além dos resultados, a Eneva ainda divulgou seu relatório anual de reservas, indicando novas descobertas e atingindo um índice de reposição de reservas de 111% na Bacia do Parnaíba. 

Vale a pena investir na Eneva (ENEV3)?

Apesar da recuperação de seu resultados e de uma melhor visibilidade futura para os próximos anos, as ações da Eneva negociam a múltiplos de valuation elevados, com um EV/Ebitda de quase 12x e um Preço/Lucro de aproximadamente 40x.

Dessa forma, não temos recomendação de compra para ENEV3 no momento.

Quem é a Eneva (ENEV3)?

A Eneva é fruto da fusão entre a MPX Energia e a OGX Maranhão, ambas empresas que pertenciam ao Grupo EBX, de Eike Batista. 

A empresa atua de forma integrada no setor de energia, em três grandes frentes: (i) exploração e produção de gás natural; (ii) geração de energia e (iii) soluções em energia. 

É pioneira no modelo de negócios R2W (Reservoir-to-Wire), atuando em toda a cadeia de valor (exploração até geração) e a conferindo uma plataforma de crescimento para capturar uma ampla variedade de oportunidades em áreas estratégicas no setor de energia. 

Em exploração e produção de gás natural, a companhia possui uma capacidade de produção atual de 9 milhões m³ de gás por dia, nas Bacias do Parnaíba e do Amazonas. Vale destacar que o gás natural é um combustível que vem exercendo papel importante na transição para uma matriz energética mais limpa, além de ser usado de suporte para o crescimento de fontes renováveis, que são intermitentes e necessitam de geração flexível que as térmicas oferecem. 

Já em geração de energia, possui um parque contratado de geração de 6 GW, que inclui 14 usinas, todas localizadas nas regiões Norte e Nordeste.

Qual o dividend yield da Eneva (ENEV3)?

Considerando as distribuições realizadas nos últimos 12 meses, o dividend yield atual da Eneva encontra-se em 0%.