A crise de governança na Azzas 2154 (AZZA3) ganhou novos capítulos após informações de que os principais acionistas do grupo, Alexandre Birman e Roberto Jatahy, discutem uma possível separação societária. 

Segundo apuração do Valor Econômico, já existiria um plano estratégico em análise que prevê uma reorganização das operações da companhia e possíveis novas listagens no mercado.

Crise na Azzas 2154 aumenta especulações sobre separação

De acordo com a reportagem, um dos modelos debatidos entre os assessores envolvidos prevê a criação de três estruturas distintas após uma eventual cisão do grupo.

No primeiro cenário, Alexandre Birman ficaria com os negócios ligados à Arezzo&Co, além das marcas Hering e Farm.

Já Roberto Jatahy assumiria as demais operações atualmente integradas ao grupo. Uma terceira possibilidade envolveria uma futura listagem da Farm no exterior, aproveitando o processo de expansão internacional da marca.

A movimentação reforça rumores que já circulavam no mercado sobre divergências estratégicas entre os principais acionistas da companhia.

Possível IPO da Farm volta ao radar

A abertura de capital da Farm no mercado internacional seria, segundo fontes ouvidas pelo Valor Econômico, um projeto antigo de Alexandre Birman.

O plano, no entanto, enfrentava resistência de Roberto Jatahy. Com uma possível separação societária, a estratégia poderia voltar a avançar dentro da nova estrutura corporativa.

Atualmente, a família Birman possui cerca de 21% das ações da Azzas 2154, enquanto Roberto Jatahy e suas irmãs detêm aproximadamente 10% da companhia.

Reorganização acionária ainda está em discussão

Segundo a apuração, uma das alternativas avaliadas envolveria a venda das participações cruzadas entre os sócios.

Nesse modelo, Roberto Jatahy venderia sua participação na Azzas 2154 e na Farm, enquanto assumiria os ativos ligados à Soma, excluindo Hering e Farm. Alexandre Birman, por sua vez, venderia sua fatia na Soma e ampliaria participação nos ativos ligados à Azzas e Farm.

Apesar das especulações, a cisão ainda não estaria definida. As assessorias financeiras envolvidas seguem avaliando alternativas para encontrar a melhor solução para ambas as partes.

Azzas 2154 nega decisão definitiva sobre cisão

Após a repercussão das informações, a Azzas 2154 divulgou comunicado afirmando que não há qualquer decisão tomada ou operação aprovada até o momento.

Além do Itaú, que assessora a companhia, instituições como Morgan Stanley, BTG Pactual e G5 estariam atuando junto aos acionistas nas discussões estratégicas.

Com isso, o mercado segue acompanhando os próximos desdobramentos da crise de governança envolvendo os controladores do grupo.