Corretoras e assessores financeiros estão colocando cada vez mais na carteira dos clientes um combo que pouca gente entende: crédito privado combinado com swap. O problema é que, na maioria das vezes, o investidor nem sabe o que está carregando — e os custos escondidos nessa operação costumam pesar mais do que o benefício esperado.

Sumário

O que é um swap e como funciona

Swap significa troca, em inglês. Na prática, é uma operação em que o investidor troca um fluxo de juros por outro. Quem faz um swap fica ativo em uma ponta — recebendo um tipo de remuneração — e passivo na outra — pagando outro tipo de remuneração.

Um exemplo: uma pessoa que quer receber IPCA+ em vez de prefixado pode fazer um swap onde paga uma taxa prefixada de 13,5% e recebe IPCA+ 7,5%. Se a inflação subir acima do esperado, a operação é lucrativa. Se cair abaixo, o resultado é negativo. O swap em si não exige desembolso inicial, apenas o ajuste entre os dois fluxos é liquidado ao longo do tempo.

Por que corretoras combinam crédito privado com swap

A lógica do combo é a seguinte: o investidor quer o risco de crédito de uma determinada empresa, mas a debênture disponível paga juros prefixados — e ele prefere receber IPCA+. A solução oferecida é comprar a debênture prefixada e, ao mesmo tempo, fazer um swap que troca esse fluxo prefixado por IPCA+.

O resultado teórico é uma debênture que paga IPCA+ sem o risco de uma segunda instituição, já que o swap tem como contraparte a própria corretora. Na teoria, faz sentido. Na prática, os custos embutidos costumam inviabilizar a operação.

Por que 90% das operações de crédito privado com swap prejudicam o investidor

Das carteiras com esse tipo de operação analisadas pela Nord Wealth, 90% resultaram em prejuízo para o cliente. O motivo principal é o spread escondido em cada ponta da operação.

Quando a corretora vende a debênture, já oferece uma taxa inferior à do mercado. Depois, ao montar o swap, adiciona mais um custo que não aparece de forma clara para o investidor. O resultado é uma operação que parece vantajosa na apresentação, mas que na prática entrega menos do que alternativas mais simples e diretas.

Quando o swap com crédito privado pode fazer sentido

Existe uma situação em que o combo pode ser justificável: quando o investidor quer especificamente o risco de crédito de uma empresa que só emite títulos em um indexador que ele não deseja carregar, e não existe nenhuma alternativa equivalente no mercado.

Mesmo nesse caso, é fundamental verificar o custo total da operação — somando o spread da debênture e o custo do swap — e comparar com títulos de risco similar no indexador desejado. Na maioria das vezes, existe uma alternativa mais simples disponível.

Atenção ao vencimento e à liquidez do swap

Outro risco pouco discutido é a dificuldade de sair da operação antes do vencimento. Vender a debênture é uma coisa — desfazer o swap é outra. Em muitos casos, a liquidez do swap é baixa ou o spread para venda é tão alto que inviabiliza a saída da posição como um todo. O investidor fica preso em uma operação que não consegue encerrar sem incorrer em prejuízo significativo.

Fique atento ao custo do swap antes de aceitar

Antes de aceitar qualquer operação casada de crédito privado com swap, o investidor deve exigir transparência total sobre os custos envolvidos em cada ponta, comparar com alternativas diretas no mesmo indexador e avaliar se conseguirá sair da operação caso o cenário mude. 

Quanto mais simples e direta for a carteira de renda fixa, mais fácil é gerenciá-la e mais claro fica o que está sendo pago e recebido.

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