A Copel (CPLE3) reportou resultados acima das expectativas do mercado no 4T25, alcançando uma receita líquida de R$ 6,9 bilhões, uma alta de +17% em relação ao mesmo período do ano anterior, em especial pelos reajustes tarifários e aumento no volume de energia elétrica vendida, além de outros efeitos.

 Resultados CPLE3 4T25. Fonte: Copel

Em relação aos custos e despesas operacionais, o crescimento foi de +16%, em linha com o da receita, com evolução da energia comprada para revenda e aumento no custo de construção. Enquanto os custos gerenciáveis de PMSO (pessoal, material, serviços de terceiros e outros) subiram +7%, devido, principalmente, às despesas com serviço de terceiro e custo de pessoal (pagamento de participação nos lucros).  

Assim, o Ebitda recorrente totalizou R$ 1,4 bilhão, alta de +16%, com margem Ebitda de 19,8%. Enquanto o lucro líquido da Copel, mesmo impactado por um resultado financeiro (negativo) +35% mais alto, registrou alta de +30%, totalizando R$ 683 milhões no trimestre, beneficiado pelos ganhos tributários com declaração de JCP.

 Alavancagem CPLE3 4T25. Fonte: Copel

Por fim, a Copel encerrou o trimestre com dívida bruta consolidada de R$ 20 bilhões e um caixa de R$ 3,7 bilhões, resultando em uma dívida líquida de R$ 16,3 bilhões. Com isso, o indicador de alavancagem (dívida líquida/Ebitda) ficou em 2,7x (vs. 2,6x em 2024).

Quais as perspectivas para a Copel em 2026?

Em 2023, a Copel foi privatizada e tornou-se uma corporação, com o governo deixando de ser seu acionista controlador. Essa mudança abriu caminho para possíveis melhorias na gestão, e a companhia já demonstra avanços nesse sentido. 

Entre as ações implementadas, destacam-se o programa de desligamento voluntário, a alienação de ativos fora do seu core business (otimização de portfólio) e o aumento dos investimentos no segmento de distribuição, com o objetivo de aprimorar os seus índices de qualidade.

 Evolução do quadro de pessoal. Fonte: Copel

Além disso, houve a migração de suas ações para o Novo Mercado da B3, que exige melhores práticas de governança.

Assim, esperamos que a companhia continue o seu processo de evolução para entregar cada vez mais valor aos seus acionistas, focando em uma estrutura mais rentável e eficiente.

Apesar de considerarmos que a Copel está no caminho certo, acreditamos que ainda há espaço para avançar na melhoria de sua rentabilidade, que permanece em níveis baixos, com ROE de 10,5%.

Dividendos e JCP de Copel (CPLE3) 

No último ano, a Copel informou sua nova política de dividendos, onde se comprometeu a distribuir 75% do lucro líquido, com frequência de pagamento de duas vezes ao ano, desde que sua alavancagem (dívida líquida/Ebitda) permaneça dentro do limite de 2,8x - faixa de tolerância de 0,3x para mais (3,1x) ou para menos (2,5x), desde que haja convergência em até 24 meses para o centro da faixa.

Qual o dividend yield de Copel?

O dividend yield dos últimos 12 meses é de 8,3%.

Vale a pena comprar Copel (CPLE3) após o 4T25?

No momento, devido ao seu processo de reestruturação ainda em andamento e do contínuo crescimento da alavancagem financeira, além dos níveis de rentabilidade neutros, não temos recomendação de compra para CPLE3.

Para investir nas ações da Copel é necessário ter uma conta em uma corretora de valores. A empresa é negociada na B3 sob o ticker CPLE3.

Reiteramos que, no momento, não temos recomendação de compra para a companhia.