A Copasa (CSMG3) registrou uma receita líquida de R$ 1,91 bilhão no 1T26, alta de +2,5% na comparação anual, enquanto o Ebitda foi de R$ 787 milhões, -3% menor. Já o lucro líquido foi de R$ 368 milhões, baixa de -14% em relação ao 1T25.

Destaques operacionais e financeiros

O volume medido de água ficou praticamente estável (consolidado de 170 milhões de m³, -0,4%) e o de esgoto subiu marginalmente (118 milhões de m³, +0,3%), efeito combinado de um período de consumo menor no 1T26 (89,5 dias contra 90,5 dias), chuvas mais intensas e o avanço do número de economias de água (+1,5%) e de esgoto (+3%) nos últimos 12 meses. 

A base de clientes atendidos seguiu crescendo, com 4,81 milhões de ligações de água (+2%) e 3,35 milhões de esgoto (+2%). Além disso, houve melhora no índice de perdas de água, que recuou para 34,7% (-2,8 p.p.). A inadimplência teve leve elevação, atingindo 3,09%, ainda em patamar controlado.

A receita líquida avançou +2,5%, para R$ 1,91 bilhão, puxada pela receita de água (+2%) e de esgoto (+4%), refletindo a aplicação da 3ª Revisão Tarifária Periódica (efeito médio de 6,56%, vigente a partir do fim de janeiro de 2026), que entrou de forma pro rata e ainda não rodou o trimestre cheio, num cenário de volumes estáveis. 

Já os custos e despesas (antes de depreciação e da cobrança de recursos hídricos) subiram +5%, para R$ 1,06 bilhão, acima do ritmo da receita, pressionados por serviços de terceiros (+12%), pela PCLD (provisão de crédito de liquidação duvidosa), que saltou +68% sobre uma base baixa do 1T25, e pela energia elétrica (+4%), enquanto pessoal recuou marginalmente (-0,6%).

Além disso, a companhia passou a reconhecer no resultado a cobrança pelo uso de recursos hídricos (R$ 16 milhões), antes registrada apenas em contas patrimoniais. O resultado disso foi um Ebitda de R$ 787 milhões, -3% na comparação anual, com margem de 40,9% (-2,4 p.p.). 

Mais abaixo na linha, o resultado financeiro (negativo) mais que triplicou, para R$ -74 milhões (contra R$ -22 milhões no 1T25), pressionado pelo incremento de +37% nos juros sobre financiamentos e provisões (maior volume de dívida e cupom médio mais alto) e pelo efeito da marcação a mercado dos derivativos de proteção cambial, apenas parcialmente compensados pelo ganho maior em aplicações financeiras (+45,5%).

Assim, o lucro líquido caiu -14%, para R$ 368 milhões, com efeitos negativos parcialmente compensados pela queda de -37% na linha de imposto (alíquota efetiva de 19,56% contra 25,17%, refletindo menor lucro tributável e maior benefício fiscal de JCP).

A geração de caixa operacional somou R$ 675 milhões, -1,5%, e o capex acelerou +28%, para R$ 695 milhões. Com isso, a dívida líquida subiu +32%, para R$ 7,09 bilhões, e a alavancagem (dívida líquida/Ebitda) subiu para 2,4x (vs. 1,8x no 1T25). 

Perspectivas futuras da Copasa (CSMG3)

Para 2026, o ano deve ser de transição regulatória e de captura gradual da revisão tarifária. A 3ª Revisão Tarifária Periódica (ciclo 2026-2029) entrou parcialmente no 1T26, de modo que o efeito do reajuste de 6,56% tende a aparecer de forma mais cheia nos próximos trimestres; a revisão também trouxe um WACC pré-impostos mais alto (13,70%, ante 9,79% pós-impostos equivalente) e reconhecimento anual dos investimentos, o que melhora a previsibilidade do retorno regulatório. 

No campo dos investimentos, a Copasa mantém ritmo elevado de capex e tem R$ 677 milhões em recursos contratados ainda não liberados, sustentando o avanço rumo à universalização (cobertura de água já acima de 99% e de esgoto em 80,4%, contra meta de 90% até 2033 do Novo Marco). 

Na remuneração ao acionista, a política prevê payout de 50% do lucro líquido ajustado, e a companhia declarou R$ 178 milhões de JCP referentes ao 1T26.

O grande vetor à frente, contudo, é o processo de desestatização, com a empresa já tendo divulgado uma série de fatos relevantes em 2026 e descontinuado suas projeções em março deste ano.

A expectativa é que, nas próximas semanas, o leilão da participação de 30% na empresa seja realizado e, enfim, o mercado saiba quem será o novo acionista de referência da Copasa (segundo fontes, a disputa estaria entre a Sabesp e a Aegea). 

Vale a pena investir na Copasa (CSMG3)?

Com suas ações já negociando próximo a 15x lucros e 10x Ebitda (em linha com as médias históricas da Bolsa brasileira), vemos que o processo de privatização já está precificado nas ações da Copasa, reduzindo a atratividade em seu investimento nesse momento.

Quem é a Copasa (CSMG3)?

Controlada pelo estado de Minas Gerais, a Copasa foi criada em 1963 (inicialmente chamava-se Comag) e é responsável por 638 concessões para a prestação de serviços de abastecimento de água e 309 concessões para a prestação de serviços de esgotamento sanitário. Além de seus negócios principais, ainda atua em limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos (coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinação final).

Qual o dividend yield da Copasa (CSMG3)?

Considerando as distribuições realizadas nos últimos 12 meses, o dividend yield atual da Copasa encontra-se em 3,37%.