Cemig (CMIG4): lucro cai 4% no 1T26 e alavancagem sobe
Maior programa de investimentos da história da Cemig reflete em sua lucratividade. Veja os impactos da alta alavancagem, investimentos e dividendos
A Cemig (CMIG4) registrou uma receita líquida de R$ 10,5 bilhões no 1T26, alta de +6% na comparação anual, enquanto o Ebitda foi de R$ 1,8 bilhão, -1% menor. Já o lucro líquido foi de R$ 979 milhões, baixa de -4% em relação ao 1T25.

Destaques operacionais e financeiros
A Cemig registrou uma receita líquida de R$ 10,5 bilhões no 1T26, alta de +6% na comparação anual, com mais uma forte contribuição dos segmentos de distribuição (71% do total da receita) e de comercialização (19% do total).
Com seus principais custos subindo acima da receita (+8%), principalmente custos de energia comprada para revenda (+15%) e de construção (+23%), o Ebitda ajustado atingiu R$ 1,8 bilhão, queda de -1%.
Refletindo a alta de +37% do resultado financeiro (negativo), o lucro líquido recorrente da Cemig totalizou R$ 979 milhões, baixa de -4%.
Já os investimentos no trimestre somaram R$ 1,5 bilhão, crescimento de +22% em relação ao mesmo período do ano passado, destinados principalmente para a vertical de distribuição de energia elétrica.
Por fim, a Cemig encerrou o trimestre com dívida bruta consolidada de R$ 19,6 bilhões e um caixa de R$ 1,8 bilhão, resultando em uma dívida líquida de R$ 17,8 bilhões. Com isso, o indicador de alavancagem (dívida líquida/Ebitda) ficou em 2,5x (vs. 1,4x no 1T25).
Perspectivas futuras da Cemig (CMIG4)
A Cemig passou por uma reestruturação nos últimos anos, conseguindo melhorar seus resultados, reduzir seus níveis de alavancagem e vender ativos não estratégicos. Porém, no momento, já podemos ver sua alavancagem voltando a subir, devido ao maior programa de investimento da história da companhia.
A empresa continuará investindo em seus segmentos mais previsíveis, assim como fez nos últimos anos, sem deixar de lado a remuneração de seus acionistas. No entanto, com o aumento da alavancagem, não vemos um dividend yield de dois dígitos, observado em períodos passados, sendo mantido de forma sustentável.

Além de já ter investido 7x mais desde 2018, entre 2026 e 2030 estão planejados investimentos de R$43,7 bilhões, sendo R$6,7 bilhões em 2026, principalmente em seu principal segmento, distribuição de energia.
Dessa forma, podemos esperar um lucro líquido mais pressionado no curto/médio prazo e consequentemente níveis mais baixos de distribuição de proventos, devido ao pagamento de juros da dívida.
Vale a pena investir na Cemig (CMIG4)?
No momento, apesar dos múltiplos relativamente baixos (7x lucros e 7x Ebitda) e do dividend yield acima da média histórica das boas pagadoras (em torno de 6%), os riscos relacionados à gestão, somados à falta de visibilidade sobre o crescimento dos resultados futuros, reduzem sua atratividade.
Sendo assim, não temos recomendação de compra para CMIG4 atualmente.
No Nord Dividendos, mantemos nossa preferência por outras companhias do setor, como a CPFL (CPFE3), que também possui forte presença no segmento de distribuição de energia.
Quem é a Cemig (CMIG4)?
Fundada em 1952, a Cemig é uma holding de energia elétrica e gás natural do estado de Minas Gerais (MG), com dezenas de empresas e participações em 24 estados brasileiros e no Distrito Federal.
Atualmente, cerca de 46% do Ebitda da empresa provém de seu negócio de distribuição, seguido por 27% de geração, 12% de gás natural, 8% de transmissão e o restante (cerca de 7%) de comercialização.
É considerada a maior empresa integrada do setor de energia elétrica do Brasil, com mais de 9 milhões de consumidores, divididos entre 774 municípios, somente em MG. Além disso, é a maior comercializadora de energia para clientes livres do país e um dos maiores grupos geradores.
Qual o dividend yield da Cemig (CMIG4)?
Considerando as distribuições realizadas nos últimos 12 meses, o dividend yield atual da Cemig encontra-se em 9,6%.

