O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo após o agravamento de sua situação financeira. A companhia declarou passivos de R$ 17,3 bilhões e busca reorganizar as dívidas enquanto mantém suas operações.

O movimento ocorre em meio a um processo de reestruturação que inclui fechamento de lojas, redução de despesas e revisão do modelo operacional. A empresa também registrou prejuízo bilionário no segundo trimestre de 2026.

Por que o Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial?

O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia foi protocolado na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e envolve dez empresas do grupo.

A decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. Segundo a companhia, o pedido se tornou necessário diante da deterioração das condições econômico-financeiras e da necessidade de reestruturar seu endividamento.

Entre os fatores apontados estão juros elevados, restrição de crédito, aumento dos custos financeiros e pressão sobre o consumo e o capital de giro. A empresa também afirmou que alternativas de liquidez que estavam sendo estruturadas não se concretizaram.

De acordo com informações divulgadas nesta segunda-feira (17), a maior parte dos R$ 17,3 bilhões em passivos corresponde a credores quirografários, que não possuem garantias específicas para receber os valores.

Qual é o valor da dívida da Casas Bahia?

A Casas Bahia declarou aproximadamente R$ 17,3 bilhões em passivos no processo de recuperação judicial.

Desse montante, cerca de R$ 16,4 bilhões correspondem a dívidas com credores quirografários. Outros R$ 754 milhões estão relacionados a obrigações trabalhistas e aproximadamente R$ 154 milhões são devidos a micro e pequenas empresas.

O processo envolve a holding e outras empresas do conglomerado, incluindo companhias ligadas ao comércio eletrônico, logística, tecnologia e fabricação de móveis.

Casas Bahia teve prejuízo de R$ 10,1 bilhões

O pedido de recuperação judicial ocorre após o Grupo Casas Bahia divulgar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.

Grande parte do resultado foi provocada por efeitos contábeis não recorrentes. Segundo informações divulgadas sobre o balanço, esses efeitos chegaram a aproximadamente R$ 9,1 bilhões e não tiveram impacto imediato no caixa.

Sem esses efeitos extraordinários, o prejuízo ajustado ficou em R$ 978 milhões, ante perda de R$ 555 milhões no mesmo período do ano anterior.

A empresa também vem enfrentando dificuldades para melhorar a geração de caixa e acessar novas fontes de financiamento.

Quantas lojas da Casas Bahia foram fechadas?

O processo de redimensionamento da operação prevê o fechamento de 298 lojas, equivalente a aproximadamente 29% da rede.

A reestruturação também envolve redução do quadro de funcionários. Informações divulgadas nesta segunda-feira indicam que o plano pode atingir entre 1,9 mil e 3 mil trabalhadores.

A estratégia busca concentrar a operação em negócios e unidades considerados mais rentáveis, além de reduzir despesas e melhorar a eficiência da companhia.

Casas Bahia vai fechar após a recuperação judicial?

Apesar do pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia informou que pretende manter suas operações normalmente durante o processo.

A companhia afirmou que continuará atendendo clientes em seus diferentes canais de venda e pretende preservar os níveis de serviço enquanto negocia a reestruturação de suas obrigações.

A recuperação judicial não significa automaticamente o encerramento das atividades de uma empresa. O instrumento permite que uma companhia em dificuldade financeira apresente um plano para renegociar determinadas dívidas e tentar preservar suas operações.

No caso do Grupo Casas Bahia, a companhia afirma que pretende utilizar o processo para buscar uma solução para sua estrutura de capital e garantir a continuidade dos negócios.

O que acontece com as dívidas da Casas Bahia?

Com a recuperação judicial, a companhia buscará negociar com seus credores novas condições para pagamento das obrigações sujeitas ao processo.

A Casas Bahia também pediu medidas emergenciais para evitar que determinadas cobranças comprometam seu caixa durante a tramitação. Entre os pedidos está a suspensão de execuções e vencimentos contratuais antecipados por 180 dias.

O plano de reestruturação deverá estabelecer as condições propostas para pagamento das dívidas, que posteriormente serão analisadas dentro do processo de recuperação.

Casas Bahia já passou por recuperação extrajudicial

Esta não é a primeira grande renegociação recente de dívidas da varejista.

Em abril de 2024, o Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas. O plano foi homologado pela Justiça de São Paulo em junho daquele ano.

Na ocasião, foram estabelecidos novos prazos para as obrigações financeiras, incluindo carência para juros e principal e prazo total de amortização de 78 meses.

Agora, diante de uma nova deterioração financeira, a empresa recorre à recuperação judicial, instrumento mais abrangente para reorganizar suas obrigações.

O que muda para clientes da Casas Bahia?

Até o momento, a orientação divulgada pela companhia é de continuidade das atividades. Isso significa que lojas, comércio eletrônico e demais canais de venda devem continuar funcionando durante a recuperação judicial.

A empresa pretende preservar seus níveis de atendimento enquanto executa a reestruturação operacional e financeira.

O cenário, no entanto, deve continuar sendo acompanhado, principalmente diante do fechamento de centenas de lojas e das medidas previstas para redução de custos.

Próximos passos da recuperação judicial do Grupo Casas Bahia

O Conselho de Administração também aprovou a convocação de uma assembleia geral extraordinária para que os acionistas ratifiquem a decisão de ingressar com o pedido, tomada em caráter de urgência.

A recuperação judicial abre uma nova etapa no processo de reestruturação do grupo. Além da renegociação das dívidas, a companhia busca reduzir sua estrutura operacional, priorizar negócios de maior rentabilidade e recuperar sua capacidade de geração de caixa.

O desempenho da operação, as decisões da Justiça e as condições apresentadas aos credores serão pontos importantes para determinar os próximos passos da varejista.