A C&A (CEAB3) lidera as altas do Ibovespa na tarde desta quarta-feira, 6, após divulgar resultados do primeiro trimestre acima das expectativas do mercado. O balanço trouxe alívio aos investidores depois de um fim de ano marcado por pressão sobre o setor varejista e incertezas em relação ao desempenho da companhia.

Por volta das 13h40, as ações da C&A avançavam +12,03%, negociadas a R$ 12,85, após atingirem a máxima de R$ 12,90 no pregão.

Resultados da C&A (CEAB3) no 1T26

No 1T26, a C&A registrou receita de R$ 1,6 bilhão, alta de +0,5% na comparação anual. O Ebitda somou R$ 116 milhões, queda de -6%, enquanto o lucro foi de R$ 12,6 milhões, avanço de +78%.

Destaques financeiros da C&A no 1T26. Fonte: C&A RI

A receita de Mercadorias cresceu +2%. As vendas em Vestuário avançaram +6%, com SSS de +5%, enquanto a categoria Beleza cresceu +16%. O desempenho foi parcialmente impactado pelo encerramento das vendas de Telefonia.

Além disso, a receita de Serviços Financeiros caiu -18%, refletindo o encerramento da parceria com a Bradescard e a menor participação do parcelado com juros no trimestre. A companhia adotou uma concessão mais conservadora, apesar do crescimento de +6% da carteira de crédito. Com isso, a receita consolidada ficou praticamente estável.

A margem bruta avançou +1,6 p.p., para 55,6%. O resultado foi beneficiado pela melhora da rentabilidade em Vestuário e pelo aumento da participação da categoria Beleza no mix.

Por outro lado, as despesas com vendas cresceram +4%, as administrativas avançaram +7% e o resultado de Serviços Financeiros caiu -30%, principalmente pelo fim da parceria com a Bradescard. Dessa forma, a empresa reportou queda de -6% no Ebitda, com margem Ebitda de 7%, retração de -0,5 p.p.

Ainda assim, com a forte redução de -75% na dívida líquida, a alavancagem caiu para apenas 0,1x dívida líquida/Ebitda, mesmo com o aumento dos investimentos em logística, tecnologia e reformas. Com isso, o resultado financeiro melhorou e a companhia entregou crescimento de +78% no lucro.

Perspectivas para a C&A (CEAB3) em 2026

Em 2025, a companhia entregou crescimento de +4% na receita, +11% no Ebitda e +57% no lucro, principalmente em função da redução da alavancagem. Para 2026, o mercado projeta crescimento de +7% na receita, +3% no Ebitda e +11% no lucro.

Retorno de capital ao acionista da C&A (CEAB3)

Em 2025, a companhia declarou R$ 0,38 por ação em dividendos e mais R$ 0,52 por ação em Juros sobre Capital Próprio (JCP). A empresa ainda não anunciou proventos para 2026, mas abriu um novo programa de recompra de ações, equivalente a 10 milhões de ações, cerca de 5% do free float.

O dividend yield da C&A nos últimos 12 meses é de 4,4% e o mercado projeta um dividend yield similar em 2026.

Vale a pena comprar C&A (CEAB3)?

Mesmo com a redução da dívida, a empresa segue aumentando os investimentos em lojas, logística e tecnologia. 

Além disso, vem assumindo maior autonomia na concessão de crédito próprio, o que reforça bons alicerces para entregar crescimento, ainda que mais moderado, nos próximos anos. Atualmente, negocia a apenas 6x lucros.

Mantemos visão neutra para o papel, mas com viés positivo.

Para investir nas ações da empresa é necessário ter uma conta em uma corretora de valores. A empresa é negociada na B3 sob o ticker CEAB3.