Na tarde de sexta-feira, 28, acompanhamos a Reunião Anual do BTG (BPAC11) com investidores. Na ocasião, o banco apresentou as perspectivas para a empresa. O CEO, Roberto Sallouti, confirmou que o BTG vai continuar expandindo sua atuação no Brasil, com sua oferta digital.

Paralelamente, o banco segue investindo em sua expansão internacional, tendo como principal foco o aumento da sua oferta na América Latina (em especial no Peru, Uruguai, Argentina e México) e no eixo EUA-Europa, onde o objetivo é atender os clientes latinos com serviços globais de Wealth (gestão de patrimônio).

ROE recorde e eficiência operacional em destaque

O principal aspecto que explica o resultado excepcional do BTG nos últimos anos (ainda mais surpreendente nos nove meses de 2025, com ROE de 26,4% e índice de eficiência de apenas 35,4%) é a alavancagem operacional.

Fonte: BTG RI

Depois de anos de fortes investimentos — orgânicos e inorgânicos — em suas plataformas e estrutura operacional, a empresa está se beneficiando de um crescimento da receita bem superior ao dos custos.

Isso, em conjunto com a forte expansão das áreas de negócio que praticamente não consomem capital (Wealth + Asset) e a redução do custo de captação, em função da entrada no segmento de varejo de alta renda, tem levado a rentabilidade a patamares recordes.

A expectativa da empresa é de continuidade dessa tendência, embora, desta vez, não tenham apresentado o soft guidance de entregar uma nova elevação de ROE em 2026, como fizeram nos últimos anos.

Expectativas para o banco de investimentos

Falando especificamente das perspectivas das principais áreas de negócio, no Banco de Investimentos, a visão é de uma melhora, por conta das expectativas de um fluxo positivo de capital global para os países emergentes e das quedas de juros (EUA e Brasil), apesar da incerteza relacionada às nossas eleições.

O banco espera continuar crescendo sua carteira de crédito (acima de 20% a.a.), impulsionado pelos ganhos de market share relacionados aos novos produtos e geografias de atuação, sem abrir mão da disciplina na gestão de risco.

Na mesa de operações (Sales & Trading), a expectativa também é de crescimento, pelos mesmos motivos.

Projeções para crédito, mesa e gestão de recursos

Na gestora de recursos (Asset) e na Wealth, a expectativa é de manter um forte ritmo de captação de recursos — que já foi de quase R$ 300 bilhões nos últimos 12 meses. Com o cenário de queda de juros, tanto o crescimento quanto a rentabilidade sobre os ativos podem aumentar e ajudar ainda mais na expansão do ROE do banco.

BPAC11 segue em alta: ainda é oportunidade?

O único problema do BTG é que sua ação BPAC11 não para de subir: são +103% apenas neste ano e +192% no atual ciclo de alta da Bolsa (desde mar/23), enquanto o IBOV sobe +33% e +54%, respectivamente.

Fonte: Bloomberg

Ainda assim, negociando a menos de 17x lucros, com uma rentabilidade consistente — bem acima da média — e ótimas perspectivas de crescimento (o mercado ainda projeta os lucros dobrando nos próximos cinco anos), continuamos enxergando BPAC11 como uma bela oportunidade!