Brava (BRAV3): o que pode mudar com a Ecopetrol no controle
A Brava reportou receita e Ebitda recordes no 2T26, com margem de 49,3%, e a Ecopetrol assumiu 51% do capital. Confira a análise e as perspectivas de BRAV3
A Brava (BRAV3) fechou o 2T26 com receita de R$ 3,6 bilhões (+14%) e Ebitda ajustado de R$ 1,77 bilhão, o maior de sua história. O lucro, de R$ 871 milhões, caiu 17%. No mesmo dia, a companhia confirmou que a Ecopetrol assumirá 51% do capital, com liquidação marcada para 17 de agosto.
Fica a pergunta que interessa a quem tem a ação: a estatal colombiana mantém a desalavancagem que a Brava vem executando há cinco trimestres, ou parte para um novo ciclo de crescimento de produção?

Com a combinação de uma produção -5% menor no período — reflexo do avanço de +3% no offshore e da queda de -17% no onshore, com o polo Potiguar ainda retomando a produção após paralisações impostas pela ANP —, a Brava contou com um preço de venda do petróleo +46% maior (já considerando um desconto menor em relação ao Brent).
Por outro lado, o dólar ficou -11% mais baixo e as vendas de derivados recuaram 18%, em meio à menor demanda, apesar dos spreads mais elevados. Ainda assim, a receita da companhia cresceu 14% no 2T26.
O lifting cost (custo de extração por barril) foi de US$ 19, +9% mais alto, com os custos no offshore permanecendo estáveis em US$ 18 (impactados pelo repasse de custos de períodos anteriores pelo operador) e os custos no onshore alcançando US$ 20,9, alta de +25% (refletindo o menor volume de produção).
Dessa forma, os custos totais da Brava cresceram 16%, ligeiramente acima da receita. Em contrapartida, as despesas recuaram 9%, refletindo ganhos de eficiência e as sinergias capturadas após a fusão. Com isso, o Ebitda avançou 33% no trimestre e atingiu o maior patamar da história da companhia. A margem Ebitda alcançou 49%, uma expansão de 7 pontos percentuais, sustentada por margens de 61% no offshore, 54% no onshore e 13% no segmento de derivados.
Beneficiado pela redução da dívida líquida e pelo ganho contábil com a marcação a mercado dos instrumentos de hedge de petróleo e da dívida — em um trimestre marcado pela queda do Brent e do dólar —, o resultado financeiro da empresa permaneceu positivo. Ainda assim, ficou -79% abaixo do registrado no 2T25 divulgado pela Brava, quando esse efeito foi ainda mais relevante. Como consequência, a companhia reportou um lucro -17% menor na comparação anual.
Vale destacar que, do ponto de vista de caixa, os contratos de hedge de petróleo geraram um desembolso líquido de R$ -864 milhões, o que reduziu pela metade a geração de caixa operacional do trimestre (R$ 829 milhões, líquida do hedge).
Com o avanço da campanha de perfuração em Papa Terra e Atlanta, a Brava investiu R$ 765 milhões no trimestre. Parte desse desembolso foi compensada pelo reembolso de R$ 262 milhões relacionado à aquisição de Tartaruga Verde.
Ao final do período, a alavancagem ficou em 2,0x Dívida Líquida/Ebitda, abaixo dos 3,1x registrados no 2T25, mas acima dos 1,8x do 1T26.
Vale destacar que a dívida líquida também caiu na comparação trimestral. A alta da alavancagem decorre do impacto dos hedges sobre o Ebitda dos últimos 12 meses utilizado no cálculo dos covenants da dívida. Desconsiderando esse efeito, a alavancagem teria recuado para 1,6x Ebitda no trimestre.

Perspectivas para Brava (BRAV3)
Hedge: exposição menor no segundo semestre
Apesar de a Brava não se beneficiar integralmente do atual cenário de Brent elevado, por conta dos instrumentos de hedge que foram contratados no ano passado para proteger o caixa da companhia frente aos investimentos que já estavam planejados para este ano (postura prudente no momento de tomada da decisão), a companhia ainda entregou receita e Ebitda recordes, enquanto segue executando sua estratégia de redução da alavancagem e do custo da dívida (5º trimestre de redução da dívida líquida).
Para o segundo semestre, a exposição remanescente aos hedges é significativamente menor e novos contratos não estão sendo realizados (estruturalmente, apenas em caso de oportunidades pontuais), dada a forte evolução operacional e financeira da empresa.
Vale ressaltar que a campanha de perfuração no offshore está evoluindo em linha com o orçamento e cronograma previstos: os dois poços de Papa Terra já tiveram as principais etapas de perfuração concluídas e a previsão do primeiro óleo é para o 4T26, enquanto nos dois novos poços de Atlanta, a previsão é para o 2T27.

Ecopetrol assume o controle da Brava
Além de divulgar seu resultado, a empresa também informou que a Ecopetrol conseguiu adquirir os 25% da companhia por meio da OPA parcial e passará a deter então 51% da Brava, assumindo o controle. As ações seguem negociadas normalmente na B3
Como a liquidação financeira da operação só ocorrerá no dia 17 de agosto, os executivos da Brava ainda não tinham muito o que falar sobre o futuro da companhia na teleconferência de resultados desse trimestre (a aquisição do controle estava condicionada ao sucesso da OPA parcial, as interações entre as companhias ainda não podiam começar).
Quem é a Ecopetrol?
Do que já é público, sabemos que a estatal colombiana produz mais de 700 mil barris por dia, possui ampla expertise em campos maduros onshore e mantém uma posição financeira robusta. Além disso, a companhia tem interesse em ampliar sua produção total — um dos motivos para a aquisição do controle da Brava, já que poderá consolidar a produção da empresa em seus resultados.
O receio do mercado: desalavancagem ou crescimento?
O receio do mercado no momento é se o novo controlador da companhia vai alterar a estratégia de estabilidade operacional e desalavancagem da Brava (meta atual é alcançar 1,5x DL/Ebitda) e passar a focar em entregar crescimento de produção (acelerando investimentos orgânicos ou até eventualmente retomando a estratégia de aquisições).
Se eles de fato quiserem aumentar a produção organicamente, no curto prazo não há muito o que ser alterado em relação aos investimentos no offshore. Já em execução, o que poderia permitir alcançar o pico de produção dos ativos atuais de maneira mais acelerada seria aumentar os investimentos no onshore.
Contudo, vale lembrar que se a alavancagem ultrapassar o patamar de 2,5x DL/Ebitda, os covenants da dívida atual impedem a Brava de realizar novas captações, então o capex que a empresa pode fazer tem um limite (a não ser que a Ecopetrol decida capitalizar ainda mais a Brava).
No fim das contas, precisaremos esperar para ver se a Brava continuará com trajetória de desalavancagem e posteriormente entrará em uma fase de distribuição de proventos ou se o novo controlador vai buscar um novo ciclo de crescimento da produção de alguma forma.
O que disse o CEO da Ecopetrol Brasil
Em entrevista ao Brazil Journal, o CEO da Ecopetrol Brasil disse que o objetivo inicial é integrar capacidades para aumentar a eficiência e capturar todo o potencial dos campos da Brava.
Além disso, afirmou que oportunidades de crescimento serão avaliadas (no Brasil, não apenas na Brava, tendo em vista que eles já possuem outros investimentos e uma ambição de longo prazo no país).
BRAV3 vale a pena no preço atual?
Apesar das incertezas (que devem ser reduzidas em breve, após a conclusão da aquisição do controle e o início dos anúncios e pronunciamentos oficiais), negociando a apenas 3,5x Ebitda, a Nord continua enxergando BRAV3 como uma ação com uma matriz de risco x retorno atrativa.

