Banco Master, OnilX e Fictor: três alertas em sequência
Em poucas semanas, Banco Master, OnilX e Fictor acenderam alertas no mercado. Entenda o padrão por trás dos casos e como proteger seu patrimônio
Nas últimas semanas, o mercado acompanhou, quase em sequência, três episódios que chamam atenção justamente pela proximidade temporal: o caso ainda em andamento do Banco Master, o alerta público da CVM sobre a atuação irregular do grupo Onil/OnilX e, mais recentemente, as notícias sobre atrasos de pagamento e mudanças no modelo de captação da Fictor.


Isoladamente, cada caso poderia ser tratado como um evento específico, com suas particularidades.
O problema é que, para quem observa o mercado com alguma memória histórica, o roteiro é familiar demais para ser ignorado.
O alerta se repete, mas ainda surpreende
O que mais incomoda não é o fato de existirem estruturas mais agressivas, apostas mal calibradas ou modelos de negócios no limite — isso sempre existiu. O que chama atenção é a recorrência. Os nomes mudam, o discurso se adapta, o marketing evolui, mas o padrão se mantém.
E talvez o ponto mais desconfortável seja outro: essas histórias não capturam apenas investidores desavisados. Com frequência, envolvem pessoas instruídas, bem assessoradas em outras áreas da vida e com patrimônio relevante.
Indivíduos que, diante de uma oportunidade apresentada como “imperdível”, desativam o ceticismo por alguns instantes e deixam de ponderar o risco com a frieza que normalmente teriam.
Isso não é falta de inteligência. É comportamento. A combinação entre retorno aparentemente acima da média, narrativa bem construída e a sensação de estar diante de algo exclusivo continua sendo um dos gatilhos mais poderosos do mercado.
Décadas atrás, o maior esquema de fraude da história seguiu exatamente essa lógica. Promessas de retorno constante, baixa volatilidade, explicações técnicas difíceis de contestar e uma reputação institucional que parecia inquestionável.
A história não se repete nos detalhes, mas insiste em rimar. E toda vez que essas rimas são ignoradas, o custo recai sobre quem acreditou que, desta vez, seria diferente.
O padrão que insiste em aparecer
Os casos recentes são diferentes nos detalhes, mas muito parecidos na essência. Para quem observa o mercado com alguma memória histórica, não há surpresa — há repetição.
Os nomes mudam, o discurso se ajusta, mas o padrão permanece. E quando olhamos com atenção, três elementos aparecem com frequência nesses episódios: retornos acima da média, visibilidade midiática usada como selo de credibilidade e a presença de figuras públicas que desarmam o ceticismo.
Nenhum desses sinais, isoladamente, comprova má intenção. Mas, juntos, eles formam um padrão que deveria acender todos os alertas. Explico, a seguir.
Retornos acima da média e sem volatilidade
O sinal de alerta raramente é apenas o retorno elevado. O que chama atenção é a combinação entre ganhos acima da média e estabilidade excessiva. Retornos previsíveis, com pouca volatilidade aparente, em um ambiente que é, por definição, incerto.
Quando o risco desaparece da narrativa, ele não deixa de existir — só muda de lugar.
Bernard Madoff construiu o maior esquema de fraude da história prometendo exatamente isso: retornos constantes, baixa correlação e explicações técnicas difíceis de questionar. Funcionou por anos. Até não funcionar mais. O resultado foi um prejuízo de modestos 65 bilhões (de dólares)!
O mercado é claro: não existe prêmio sem risco. E retornos persistentemente acima da média, sem oscilações, merecem desconfiança.
Visibilidade midiática como selo de credibilidade
Outro traço recorrente é a busca por legitimidade via visibilidade. Patrocínios esportivos, exposição institucional e marketing sofisticado ajudam a reduzir a desconfiança inicial do investidor.
Visibilidade não é problema. O problema surge quando ela substitui a análise.
Que sirva de exemplo o próprio Banco Master, hoje já com liquidação decretada pelo Banco Central, que até 2025 patrocinava a Aston Martin, equipe de Fórmula 1.

Marketing conta boas histórias, mas não audita balanços nem elimina riscos. A correlação é conhecida: quanto mais fácil é confiar, menos perguntas costumam ser feitas — e isso raramente termina bem.
A autoridade que desarma o ceticismo
Estruturas ancoradas em figuras renomadas também tendem a desarmar o ceticismo. Madoff foi presidente da Nasdaq, tinha conexões políticas e reputação institucional sólida até o dia em que não foi mais.
A lição não é sobre pessoas específicas, mas sobre comportamento. Autoridade social frequentemente substitui diligência técnica.
Como evitar cair em mais um caso
Reconhecer o padrão é o primeiro passo. O segundo é o método.
- Diligência constante: diligência não é etapa inicial, é processo contínuo. Mudanças de estrutura, atrasos pontuais e ruídos regulatórios raramente surgem por acaso. No mercado financeiro, risco não explode — ele vaza antes.
- Separar oportunidade de narrativa: boas estruturas são explicáveis de forma simples. Quando a explicação exige complexidade excessiva para justificar previsibilidade, o problema não está em quem pergunta. Clareza é subproduto de estrutura boa. Confusão, quase sempre, é defesa.
- Risco no tamanho certo: evitar esses episódios não significa evitar risco, mas dimensioná-lo corretamente. O erro não está em assumir risco, mas em comprometer patrimônio estrutural em teses que dependem de tudo dar certo.
O nosso querido Warren Buffett ensina há décadas:Regra 1: nunca perca dinheiro;Regra 2: nunca esqueça a regra 1.
Como a Nord Wealth protege seus clientes
Na Nord Wealth, seguimos uma premissa simples: não perseguimos a “oportunidade da vez”. Nosso foco está em estruturas que resistem ao tempo.
Essa postura nos leva a dizer “não” com frequência. No caso do Banco Master, por exemplo, a tese foi reprovada em 2022 — não por ruído externo, mas por análise de risco estrutural incompatível com uma gestão patrimonial prudente.
O mesmo ocorreu em outros episódios. Em 2023, clientes chegaram à mesa com sugestões externas envolvendo a Fictor. Após análise, a recomendação da casa foi clara: não seguir.
Não por juízo de valor, mas por entendimento de risco, assimetria de informação e perfil adequado de alocação.
Esse é o papel de uma gestão patrimonial responsável: filtrar, questionar e, quando necessário, contrariar o entusiasmo do mercado. Em um ambiente imperfeito, método vale mais do que manchete. E diligência vale mais do que velocidade.
Mais um caso não deveria surpreender. O que deveria causar espanto é continuarmos tratando esses episódios como exceção.
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Se você quer conversar sobre sua alocação com profundidade, entender melhor os riscos que está assumindo e avaliar se seu patrimônio está estruturado para o longo prazo, o próximo passo é conversar conosco.
Na Nord Wealth, atuamos como parceiros estratégicos para quem busca longevidade financeira.

