O Banco Central (BC) avaliou como adequado sinalizar o início de um ciclo de redução da taxa de juros já na próxima reunião, em março, destacando que a magnitude e a duração desse ciclo de flexibilização monetária serão definidas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às análises.

A sinalização consta na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada. Na ocasião, o BC optou pela manutenção da Selic em 15,00% ao ano, mas promoveu uma mudança relevante na comunicação. A seguir, os principais pontos do documento.

Cenário doméstico avaliado pelo Banco Central

O Comitê reconhece avanços consistentes no processo de desinflação. As leituras mais recentes indicam arrefecimento da inflação cheia e das medidas subjacentes, com contribuição relevante da inflação de bens e de alimentos. Esse movimento foi favorecido por um câmbio mais apreciado e por preços de commodities mais benignos.

Ainda assim, o BC destaca que as expectativas de inflação seguem acima da meta em todos os horizontes relevantes, o que exige cautela na condução da política monetária.

No campo da atividade, a economia segue em trajetória de moderação, em linha com o esperado pelo Comitê. O mercado de trabalho, por sua vez, permanece resiliente, mantendo pressão sobre alguns segmentos da inflação, especialmente o setor de serviços.

Cenário internacional e riscos externos

O ambiente externo segue incerto, sobretudo em função da condução da política monetária nos Estados Unidos e de seus impactos sobre as condições financeiras globais. Embora tenha havido alguma redução recente da incerteza, o Comitê continua monitorando tensões geopolíticas e riscos associados ao comércio internacional.

No cenário atual, os preços das commodities permanecem relativamente contidos e as condições financeiras globais mostram-se mais favoráveis, mas ainda requerem cautela — especialmente para economias emergentes.

Decisão do Copom e próximos passos da política monetária

Por unanimidade, o Copom decidiu manter a Selic em 15,00% ao ano. Ao mesmo tempo, sinalizou que, caso o cenário esperado se confirme, pretende iniciar o ciclo de flexibilização da política monetária na próxima reunião.

O Comitê reforçou que a taxa de juros deverá permanecer em nível restritivo por um período prolongado, até que se consolide não apenas a desinflação, mas também a ancoragem das expectativas de inflação.

Nesse contexto, a magnitude do corte inicial permaneceu em aberto. Seja um ajuste de 25 pontos-base ou 50 pontos-base, o BC avalia que a política monetária continuaria em território contracionista.

Vale destacar que as reuniões realizadas nos dias 27 e 28 de janeiro contaram com apenas sete membros, em vez dos nove habituais. Isso ocorreu em razão da saída dos ex-diretores Renato Dias de Brito Gomes (Organização do Sistema Financeiro e Resolução) e Diogo Abry Guillen (Política Econômica).

O que a curva de juros indica hoje

A curva de juros precifica maior probabilidade de um corte de 50 pontos-base na próxima reunião.