Não importa se coleciona ou não, com certeza você já ouviu falar que começou a temporada do álbum da Copa do Mundo. E acho que é legal já compartilhar que não — eu não estou colecionando o álbum da Copa! 

Não porque eu sou um planejador financeiro que considera isso um dinheiro gasto com bobagem. Sempre reforço que, como planejador, nenhum dinheiro é gasto com bobagem, desde que ele deixe a pessoa feliz. 

A gente não julga; a gente só ajuda as pessoas a entenderem se aquele dinheiro está sendo usado da melhor maneira possível para que elas atinjam seus objetivos. 

Não estou colecionando porque, apesar de ter tido os álbuns da Copa do Mundo de 90, 94 e 98, eu acabei dando-os de presente para um professor de quem eu gostava, em 2002, e que disse que o sonho dele era ter os álbuns antigos do campeonato mundial.

Quando contei essa história para algumas pessoas, escutei um sonoro: "Você é louco? Isso deve valer uma fortuna hoje!" 

Decidi ir atrás dessa informação e, inclusive, escrever este texto para responder: “Afinal, álbum da Copa é um investimento ou não?” 

A resposta curta é: depende. E entender isso ajuda muito mais do que apenas decidir se vale a pena gastar dinheiro com figurinhas.

Anúncio de venda da coleção de álbuns da Copa do Mundo da Panini, de 1990 a 2002. Fonte: Mercado Livre

O que é um investimento?

Preste bem atenção na pergunta: eu não estou questionando se é ou não um bom investimento. A pergunta é se é ou não um investimento.

Esse é o coração do texto que decidi escrever: pouca gente sabe com clareza o que, de fato, é um investimento.

Eu sei que você, que lê os nossos conteúdos e acompanha a Nord, provavelmente, tem investimentos, mas você sabe explicar o que, de fato, torna algo um investimento? 

Tem quem diga que investimento é algo que faz você ganhar dinheiro. No entanto, imagine que investiu R$ 1.000 em uma ação e que, após dois anos, esse valor inicial virou R$ 800 — isso não deixa de ser um investimento só porque não ganhou dinheiro. 

Dando um outro exemplo: se você se alimenta melhor e passa a fazer exercícios regularmente, não está ganhando dinheiro diretamente com isso. Mas seria errado falar que você está fazendo um investimento? 

Já pensei muito sobre esse assunto. Eu estudo economia, teoria monetária e “dinheiro” há quase quinze anos.

Já vi muitos casos de aporte de recursos que não eram financeiros e que podemos, sim, dizer que foram investimentos (como o caso de alguém que instala uma estrutura de canos em um sítio para levar água de um açude e fazer uma cachoeira para os convidados se divertirem).

Com isso, a gente chega à melhor definição que já vi: “Investimento é a alocação de recursos escassos na expectativa de que isso gere mais recursos no futuro.”

A palavra mais importante dessa definição é "expectativa". Claro que, quando a gente fala de um bom investimento, essa expectativa se torna realidade. Mas só existe um mercado de investimentos porque ninguém consegue prever o futuro com certeza absoluta. 

Saber quais expectativas têm mais chance de se tornar realidade é realmente uma arte. 

Afinal, álbum da Copa é investimento?

Claro, é justo! Óbvio que a resposta é aquele "eternamente sem graça"— depende. Lembra que o que vai tornar algo um investimento é a expectativa de alguém gerar mais recursos com isso no futuro. 

Se você está comprando o álbum com a expectativa de vendê-lo daqui a 4, 8, 16 anos, então, sim, neste caso, o álbum da Copa do Mundo seria um investimento. 

Mas, se eu puder arriscar um palpite aqui, caso esteja colecionando o álbum, diria que tem uma chance de 99% de que o seu propósito principal não é esse. 

Você provavelmente gosta da ideia de fazer uma coleção, da experiência das trocas de figurinhas, de manter uma tradição que você já faz há muitos anos — e está tudo bem com isso.

O perigo do “conforto psicológico” 

Só tome cuidado, porque a possibilidade de valorização desse “ativo” acaba servindo como um conforto psicológico para você justificar o valor que está gastando para ter esse lazer. 

Vou me abrir aqui com você — eu mesmo faço isso: tenho uma coleção de bonecos e, para minha esposa, eu também já falei que não tem problema em comprar mais itens porque tem uma chance enorme deles se valorizarem no futuro e acabarem sendo um investimento!

Mas, no fundo mesmo, isso é só um conforto psicológico que me deixa mais à vontade de ter uma despesa com algo que não é fundamental para a nossa vida. 

A menos que você seja minha esposa e esteja lendo este texto: se esse for o caso, pode acreditar que bonecos realmente são o ativo com maior potencial de valorização até nosso filho fazer 18 anos.

No entanto, se você não é a minha esposa, o que provavelmente é o caso, é preciso apenas entender se essa argumentação do investimento não está simplesmente sendo um subterfúgio para ficar mais à vontade para extrapolar o orçamento. 

Mas não é um custo tão grande, vale pensar nisso?

Quero que fique bem claro que a minha ideia não é criticar você se estiver fazendo o álbum da Copa do Mundo e gastando seu dinheiro com isso. Nunca vou me cansar de reforçar: o papel do planejador nunca é julgar a maneira como você gasta o seu dinheiro

No entanto, o que a gente vê repetidas vezes é a falta de racionalização do orçamento. Ou seja, não parar para pensar se esse valor está saindo do seu bolso às custas de algum outro sonho ou objetivo. 

Claro, eu sei que, para boa parte das pessoas que estão lendo este texto, o valor a ser gasto com um álbum da Copa a cada quatro anos não deve ser algo que atrapalhe, atrase ou impeça a realização de um sonho. 

Mas, até pelo timing, ele era um gancho bom demais para deixar passar e apontar o mesmo comportamento em outra decisão financeira que custa muito dinheiro: a compra de um imóvel (ou qualquer outra atividade que custa muito dinheiro).

E um imóvel? É um investimento?

Eu prefiro usar o exemplo do imóvel porque ele é um dos principais casos em que já vi clientes perdendo muito dinheiro por decisões tomadas “no susto”. Mas não, eu não estou dizendo que comprar um imóvel não é uma boa decisão!

No entanto, já atendi muitos clientes que compraram um imóvel de forma mal planejada porque se empolgaram demais durante uma visita e, quando começaram a se questionar se não seria uma loucura dar aquele passo naquele momento, alguém falou: “Não se preocupa, imóvel é um investimento. Se no final estiver pesando, é só vocês venderem.” 

Inclusive, esse é um tema sobre o qual eu quero escrever, listando casos diferentes e mostrando como houve um prejuízo grande em uma decisão mal tomada. 

Mas, no seu processo de decisão financeira, é importante ter muito claro o que é, de fato, um investimento e o que é um consumo puro para realização pessoal (com um eventual benefício de uma saída, caso precise). 

Esse alívio psicológico pode ser muito perigoso. Ativos como imóveis — ou também o álbum da Copa do Mundo, bonecos, coleções e outros — têm uma liquidez limitada. De fato, pode ser que, em um momento delicado, você consiga se desfazer deles e levantar um capital. 

E quando vale a pena gastar com isso?

Se você já atingiu o seu valor necessário de reserva — ótimo! Pode colecionar o álbum sem preocupações! (Se não atingiu ou se não sabe quanto seria necessário, acesse nosso simulador de Reserva Ideal e calcule o quanto precisa)

Melhor ainda seria se, além da reserva encaminhada, você ainda estivesse dedicando o valor necessário para atingir a sua liberdade financeira! Novamente, se não souber, acesse o nosso Simulador de Liberdade Financeira

E, acima de tudo, curta esse e outros mimos sem preocupações quando, além da reserva e da liberdade financeira, você também tenha os seus objetivos bem mapeados e planejados.

Se quiser ajuda com isso, será um prazer te atender também na Nord Liberta  — a nossa divisão focada em Planejamentos de Vida

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