Ações da Celsius (CELH): ainda vale investir após alta de 15x?
Após cair 45%, a Celsius voltou a chamar atenção do mercado. Entenda os riscos, o potencial internacional e a tese da companhia
A Celsius (CELH) apareceu no mercado de energéticos com uma proposta diferente da Monster e da Red Bull. Enquanto as gigantes do setor construíram marcas ligadas a esportes radicais, vida noturna e cultura jovem, a Celsius se posicionou de forma mais alinhada ao consumidor da chamada “geração saúde”, com foco em bem-estar, rotina fitness e produtos sem açúcar.
O posicionamento parecia nichado em um primeiro momento, mas abriu espaço para um crescimento acelerado. Em poucos anos, a companhia saiu de uma participação marginal para se consolidar como uma das principais marcas de energéticos dos Estados Unidos.
Depois de multiplicar seu valor em mais de 15 vezes desde a pandemia, as ações da Celsius passaram por uma forte correção recente.
Agora, a principal dúvida dos investidores é: depois da recente queda, as ações da Celsius ainda oferecem uma boa oportunidade?
Como a Celsius ganhou espaço no mercado de energéticos
A história da Celsius sempre foi curiosa porque ela nasceu dentro de uma categoria que, por muito tempo, parecia dominada por duas marcas.
De um lado, a Red Bull, com talvez a melhor execução de marketing em bebidas das últimas décadas. Do outro, a Monster, que transformou uma simples empresa de bebidas enlatadas em uma das maiores histórias de retorno do mercado americano.
No meio dessas duas gigantes, a Celsius encontrou um espaço diferente. Enquanto Monster e Red Bull tinham uma estética mais ligada a esportes radicais, música, noite e cultura jovem masculina, a Celsius apareceu com uma proposta mais alinhada ao consumidor da “geração saúde”.
O posicionamento da marca voltado para saúde e fitness
A Celsius se posicionou como um energético sem açúcar, muitas vezes sem calorias, com apelo funcional, embalagem mais limpa e uma comunicação muito mais próxima de academia, bem-estar e rotina fitness do que de motocross ou videogames até tarde.
Essa diferença parece pequena, mas foi suficiente para abrir um mercado enorme. Em poucos anos, a Celsius saiu de uma marca de nicho para uma das maiores companhias de energéticos dos Estados Unidos.
Entre 2022 e 2024, sua participação no mercado americano saiu de algo próximo de 3% para cerca de 11%, uma expansão raríssima em uma categoria já grande e competitiva.

Como a Celsius roubou market share de Monster e Red Bull
Em 2025, a Celsius deu um novo salto. Já consolidada como a terceira maior marca de energéticos dos EUA, a empresa adquiriu a Alani Nu — até então a quarta maior do setor.
Na sequência, a Pepsi ofereceu à Celsius o controle da Rockstar em troca de algumas ações. O que antes era um portfólio de apenas uma marca virou, em um ano, um portfólio com três nomes relevantes.
Com isso, sua participação no mercado americano saltou de 11% para 21%.
A Celsius, que já incomodava as duas gigantes do setor, agora é uma empresa que possui duas marcas capazes de pressionar ainda mais suas concorrentes.
Os riscos que fizeram as ações da Celsius cair
A Celsius se tornou relevante, pelo menos, no mercado americano. Mas isso faz com que a companhia se junte, de certa forma, à Red Bull e à Monster como empresas e modelos a serem almejados.
O pioneirismo da Celsius em se vender como uma marca funcional, apesar de vender energéticos (sabemos que não são saudáveis de verdade), atraiu outras companhias buscando esse mesmo tipo de “branding”.
A entrada da Costco com a marca Kirkland
A gigantesca rede de atacado americana Costco lançou recentemente, por meio de sua marca própria Kirkland, uma imitação da Celsius.

O Kirkland Sparkling Energy também é um energético sem açúcar, com sabores de frutas tropicais, uma embalagem “cópia” da Celsius e um preço muito competitivo (a cara da Costco).
Isso ameaça a Celsius (e outras bebidas energéticas) de duas maneiras diferentes: há um novo competidor na área, com preços competitivos.
A dependência das vendas no mercado americano
Além disso, as receitas da Celsius em vendas por meio da Costco são relevantes para seus resultados, representando aproximadamente 11% do faturamento nos EUA.
Em parte, esse novo lançamento da Costco explica a queda recente de 45% das ações da Celsius ao longo dos últimos meses. Afinal, mais competição é sempre o maior risco para teses ligadas ao consumo discricionário.
Mesmo assim, enxergo que, graças a essa queda, a empresa voltou a representar uma boa oportunidade — mesmo não sendo o tipo de negócio que mais me agrada.
A Celsius possui vantagens competitivas?

A Celsius não tem um moat forte. Diferente de uma Ferrari, uma Visa ou uma TSMC, não existe uma barreira estrutural que impeça o consumidor de trocar de marca. No fim do dia, estamos falando de uma lata de energético em uma geladeira cheia de alternativas.
A força do branding da companhia
Isso não quer dizer que a empresa não tenha méritos. O primeiro deles é a construção de marca: a Celsius conseguiu ocupar um território próprio dentro da categoria.
Não tentou ser uma nova Monster nem uma nova Red Bull. Ela se posicionou como o energético da rotina fitness, do bem-estar, da academia e da “geração saúde”.
A importância da parceria com a Pepsi
O segundo mérito é a distribuição, que é quase tão importante quanto o produto. Estar na geladeira certa, no mercado certo, no posto certo e na loja de conveniência certa faz uma enorme diferença.
Nesse sentido, a parceria com a Pepsi foi transformacional. A Celsius conseguiu se plugar em uma estrutura que já tem caminhões, relacionamento com varejistas, espaço em prateleira e capacidade de levar produto para o país inteiro. Para uma marca que já tinha demanda, isso acelerou muito o crescimento.
O consumo recorrente no mercado de energéticos
O terceiro ponto é a recorrência. Energético não é uma compra ocasional, como uma roupa ou um tênis. Para muitos consumidores, vira hábito. Quem toma uma lata por dia útil pode consumir mais de 250 latas por ano. Quando uma marca entra nessa rotina, a economia do negócio muda. A empresa não precisa convencer o consumidor do zero a cada compra. Ela precisa continuar presente, relevante e disponível.
A estratégia de diversificação de marcas
Por fim, a Celsius deixou de ser uma história de uma única marca. Com Alani Nu e Rockstar, a companhia agora tem um portfólio maior, atacando diferentes públicos dentro da mesma categoria. Isso não elimina o risco competitivo, mas reduz um pouco a dependência de uma única narrativa.
Marcas de bebidas podem esfriar (pun intended). Portfólios bem administrados costumam durar mais.
Os resultados mostram que a estratégia vem dando certo e o potencial de crescimento ainda é enorme.
As ações da Celsius ainda têm potencial de valorização?
Infelizmente, não dá mais para voltar no tempo e comprar Celsius perto dos US$ 2, antes da ação multiplicar mais de 15x desde a pandemia. Mas, mesmo negociando na faixa dos US$ 33, a história ainda parece interessante.
O crescimento acelerado das receitas
Olhando para a dinâmica de resultados da empresa, com as adições das marcas Alani Nu e Rockstar, as receitas da companhia dispararam +138% no 1T26 em comparação com o 1T25.
Para 2026, o mercado espera que o crescimento de receitas seja de +33,8% em comparação ao que foi em 2025. A adição de novas marcas faz com que o crescimento dê esse salto.
Mesmo olhando para os próximos anos, o mercado espera que ela consiga manter uma taxa de crescimento média de 10%, com o lucro crescendo um pouco mais do que isso.

Porém, o mercado parece subestimar a história internacional. De fato, a Celsius manteve seu foco na consolidação nos EUA. Suas empreitadas internacionais foram mínimas até o momento.
O potencial da expansão internacional
Hoje, apenas 4,5% das receitas da empresa são de vendas internacionais, enquanto 95% são de vendas nos EUA. Em comparação com marcas como Monster, essa quebra é muito mais equilibrada, com números próximos de 60% nos EUA e 40% fora.
Europa, Austrália e Brasil podem impulsionar a companhia
O que eu acho curioso nessa história é que a marca Celsius me parece ter muito mais aderência com um público não americano. O branding saudável e os sabores tropicais me parecem ter muito mais sinergia com mercados europeus.
Não à toa, a empresa patrocina a Ferrari e a Aston Martin na Fórmula 1. Mercados como o Brasil e a Austrália também parecem muito sinérgicos com a companhia, pelo clima e pelos hábitos da população.
Vale a pena investir nas ações da Celsius?
Sim. Nos EUA, a marca já se consolidou como a terceira maior do mercado; no resto do mundo, ela não passa de uma raridade em algumas geografias. Uma vez que a empresa volte seu foco para essa expansão internacional, os resultados internacionais podem crescer a taxas muito maiores do que atualmente (que já são altas e podem ficar ainda maiores).
À medida que a fatia de receitas internacionais começar a ficar maior nos resultados, e com um crescimento grande, o resultado como um todo passará a crescer mais. Essa é a oportunidade, a nosso ver.
Nossa visão sobre Celsius no longo prazo
Se você ainda não encontrou uma Celsius no supermercado da sua cidade, provavelmente é só questão de tempo.
Hoje, a marca ainda é muito concentrada nos EUA, mas o potencial de expansão internacional parece enorme, especialmente em mercados com perfil mais alinhado ao seu branding, como Europa, Austrália e até o Brasil.

