Ação do Bradesco (BBDC4) dispara 76% com reestruturação estratégica
Ação do Bradesco (BBDC4) valorizou +76% em 2025 e acumula alta de quase +3% no início de 2026. Veja se vale a pena após reestruturação
As ações do Bradesco (BBDC4) tiveram um desempenho expressivo em 2025, com valorização de cerca de +76%, e a tendência de alta se manteve nos primeiros dias de 2026. No acumulado deste ano, os papéis já registram ganhos em torno de +3%. Com a alta, ainda vale a pena investir no banco?
Como a reestruturação impulsionou a ação do Bradesco
O salto nas ações do Bradesco reflete uma profunda reestruturação interna, que reposicionou o banco após um período de resultados insatisfatórios.
O banco vinha enfrentando um desempenho financeiro fraco, marcado por quedas no lucro, redução da rentabilidade (ROE), além de atraso tecnológico e desafios na experiência do cliente.
Com a posse de Marcelo Noronha como CEO do Bradesco, em 2023, foi implementado um novo plano de reestruturação, focado principalmente na reversão da trajetória de deterioração dos indicadores financeiros e na retomada do foco no cliente.
O novo plano estratégico, com duração de cinco anos (2024–2028), foi elaborado a partir de um diagnóstico conduzido pela renomada consultoria McKinsey, com ênfase na digitalização tecnológica, na otimização da rede física, no segmento de alta renda e na eficiência de custos.
Embora ainda esteja em andamento, o plano já começa a se refletir nos resultados do banco. No 3T25, o lucro líquido recorrente alcançou R$ 6,2 bilhões, representando um crescimento de +19% em relação ao mesmo período do ano anterior. O ROE, por sua vez, atingiu 14,7% no trimestre, alta de 2,3 pontos percentuais.
Também podemos destacar o desempenho das atividades de seguros. No 3T25, essa área gerou um resultado de R$ 5,7 bilhões e um lucro líquido de R$ 2,5 bilhões, enquanto o ROE da seguradora foi de 22,4%.

Bradesco melhora, mas inadimplência ainda preocupa
O aumento das provisões no trimestre está relacionado, em grande parte, a operações específicas do segmento atacado. A inadimplência, de 4,1%, teve uma leve redução em relação ao mesmo período do ano anterior, quando era de 4,2%.
Porém, a inadimplência do Bradesco só está melhor que a do Banco do Brasil (4,9%), mas pior que a do Itaú (1,9%) e do Santander (3,4%).
Nova estratégia do Bradesco mira alta renda e agro
Com forte exposição ao varejo tradicional, o Bradesco sofreu mais com o aumento da inadimplência e a desaceleração do crédito. Além disso, enfrenta dificuldades em repassar os efeitos de uma Selic elevada aos clientes, pressionando os spreads.
Em resposta, o banco adotou uma concessão de crédito mais seletiva para pessoas físicas e passou a apostar fortemente no público de alta renda como motor de crescimento.
No agronegócio, a aquisição de 50% do banco John Deere reforça sua estratégia no segmento. O foco está no financiamento de máquinas, peças e serviços — sem grande impacto sobre outras frentes de atuação do banco.
O que esperar do 4T25 do Bradesco?
Para o 4T25, o mercado projeta um lucro líquido de R$ 6,4 bilhões, o que representaria um crescimento de 19%. Com isso, o lucro líquido consolidado de 2025 alcançaria R$ 24,6 bilhões, uma alta de 25%. Já o ROE acumulado no ano é estimado em 14,8%, um avanço de 3,1 p.p.
Após forte alta, BBDC4 ainda vale a pena para 2026?
O resultado do 3T25 mostra uma recuperação operacional gradual, com aumento de rentabilidade, melhora na qualidade da carteira de crédito e crescimento de receitas acima das despesas.
A expectativa é de continuidade na recuperação da rentabilidade, após anos de desempenho mais fraco. Mas é importante continuar monitorando os segmentos de menor renda, que continuam mostrando fragilidade.
Apesar da recente valorização, as ações do Bradesco ainda são negociadas a 9x lucros, bem abaixo da média histórica da Bolsa, de 15x, o que indica que ainda há espaço para uma reprecificação.
Além disso, caso o banco continue entregando melhora nos lucros e nos níveis de rentabilidade, suas ações tendem a continuar acompanhando esse movimento.
Não compre ações do Bradesco, compre Itaú
Mesmo com os avanços do plano de reestruturação, o Itaú (ITUB3) permanece muito à frente na geração de valor.
Com a menor inadimplência entre os grandes bancos e o maior ROE do setor, o Itaú vem reportando aumentos consistentes de lucro há vários trimestres. Também lidera em investimentos em tecnologia — e já começa a colher resultados desses aportes.
Para os próximos anos, o banco projeta praticamente dobrar sua carteira de crédito e reduzir o índice de eficiência dos atuais 39% para cerca de 30%. Isso pode elevar ainda mais seu ROE, para patamares entre 25% e 30%.
Negociando a apenas 8,5x lucro, a recomendação é clara: compre ITUB3. O papel faz parte da carteira Nord Dividendos.

