4 números que revelam os desafios da economia brasileira
Entenda como dívida pública, juros, inadimplência e recuperação judicial podem afetar seus investimentos nos próximos anos
Em semanas de eleição, é natural que o debate gire em torno de candidatos, pesquisas e expectativas. Mas o que vai definir o patrimônio dos brasileiros nos próximos dez anos não é o resultado de outubro, e sim tudo o que acontecerá depois disso.
Porque, independentemente de quem vencer, o próximo presidente vai herdar exatamente o mesmo Brasil que temos hoje. E esse Brasil, quando olhamos os números com frieza, está mandando sinais muito claros.
Este não é um conteúdo sobre candidatos. É sobre o que precisa ser cobrado de qualquer um deles e sobre o que fazer com a sua carteira enquanto essa cobrança não surte efeito.
4 indicadores que revelam os desafios da economia brasileira
Enquanto o debate eleitoral gira em torno de slogans, os indicadores que realmente importam para quem investe, trabalha e produz contam uma história bem menos animadora.
Recuperação judicial atinge número recorde de empresas
Hoje, 6.341 empresas estão em recuperação judicial no Brasil. Juros altos, crédito escasso e caixa apertado seguem empurrando cada vez mais negócios para os tribunais. Inclusive empresas com histórico de grande credibilidade, como Raízen, GPA e Braskem, precisaram recorrer a recuperações extrajudiciais para renegociar dívidas bilionárias.

Endividamento das famílias bate recorde no Brasil
O endividamento das famílias chegou a 49,9% da renda anual em julho, no topo da série do Banco Central: metade de tudo o que se ganha em um ano já é dívida. A inadimplência no crédito às famílias bateu 6%, recorde, e a Serasa contabiliza 84 milhões de brasileiros negativados (metade dos adultos do país).
Dívida pública cresce e preocupa o mercado
A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto, o maior patamar em cinco anos. E o mercado já projeta 87% do PIB em 2027, praticamente o pico da pandemia.
Aumento da saída fiscal de brasileiros acende alerta
Até agosto, cerca de 46,6 mil brasileiros formalizaram saída fiscal do país, contra 31,7 mil em todo o ano de 2025. A direção é inequívoca.

Some a isso a tributação de dividendos acima de R$ 50 mil mensais, em vigor desde janeiro, e uma reforma tributária que caminha para um dos maiores IVAs do mundo. O retrato fica completo: o país está tornando cada vez mais caro empreender, investir e permanecer.
Não à toa, a frase que mais escuto de empresários nas últimas semanas é alguma variação de: “Essa eleição vai decidir se eu continuo investindo aqui”. Não é exagero. Essa, infelizmente, é a agonia de quem gera emprego, paga imposto e luta por um Brasil melhor.

Como a dívida pública influencia juros e crescimento econômico
Nenhum desses indicadores é um problema isolado. Todos são sintomas da mesma doença: um Estado que gasta mais do que arrecada e financia a diferença com juro alto.
A engrenagem é simples. Com as contas públicas desequilibradas, o Banco Central precisa manter a Selic elevada (hoje em 13,75%) mesmo após cinco cortes, com juro real ainda na casa de 8%. Juro alto encarece o crédito, que sufoca a empresa, que trava investimento e contratação, que pressiona a renda, que alimenta a inadimplência. E o governo, com a dívida crescendo, busca mais arrecadação, o que só reforça o ciclo.
Só em 2026, os juros adicionaram 6,5 pontos percentuais do PIB à dívida bruta. Nenhuma política pública resiste a essa conta por muito tempo.

Por isso, o foco precisa ser um só: equilibrar as contas públicas para permitir juros estruturalmente mais baixos e devolver competitividade à economia. Sem isso, qualquer plano de governo não para em pé.
Quais medidas podem melhorar o cenário econômico
Independentemente de quem for eleito, a agenda a ser cobrada é a mesma: controle real de gastos, com regras críveis e não apenas no papel; previsibilidade tributária, sem mudanças a cada semestre; e um ambiente em que empreender volte a valer a pena.
Mas e se essa cobrança não surtir efeito? As consequências não são abstratas. É a continuação e a aceleração de tudo o que mostramos acima: mais empresas em recuperação judicial, mais famílias endividadas, mais capital e talento indo embora do nosso país.
Hoje o real está forte, sustentado por juros altos e commodities. Mas câmbio não é blindagem permanente, basta ver as histórias de alguns vizinhos e pares emergentes.
Em um cenário de deterioração fiscal, a moeda costuma ser a primeira válvula de escape. E o empreendedor, desanimado, simplesmente para de investir por aqui.
Como proteger sua carteira em um cenário de incerteza econômica
Essa é a pergunta que mais recebemos, e a resposta da Nord não depende de quem vencer no domingo, afinal, não tomamos decisões com base em cenários binários. Ela depende de construir um portfólio que funcione em mais de um cenário.
- Não aposte o patrimônio no resultado da urna. Movimentos bruscos às vésperas de uma eleição dividida costumam custar caro. Carteira se ajusta por processo, e nunca por pesquisa eleitoral.
- Reduza a dependência de um único país. Internacionalização é item obrigatório em qualquer alocação de um brasileiro que leva investimentos e liberdade financeira a sério. Ela deve ser construída de forma recorrente, não apenas quando o dólar dispara.
- Proteja o poder de compra. Títulos atrelados à inflação seguem oferecendo juros reais historicamente elevados e cumprem papel de proteção em cenários de pressão fiscal.
- Revise a estrutura, não só os ativos. Tributação de dividendos, ITCMD progressivo e reforma tributária mudaram a conta de holdings, sucessão e distribuição de lucros. Para o empresário, empresa e pessoa física precisam ser planejadas juntas.
- Se a saída fiscal estiver no radar, faça com método. Uma saída mal planejada gera bitributação, contas encerradas na hora errada e problemas que levam anos para resolver.
Planejamento patrimonial ganha importância em cenários desafiadores
Ambientes previsíveis perdoam a falta de estrutura. Ambientes imprevisíveis cobram caro por ele. O Brasil de hoje está no segundo grupo.
Por isso, mais do que nunca, é hora de estar bem acompanhado. Na Nord Wealth, olhamos o patrimônio de forma holística: alocação local e internacional, tributação, sucessão e proteção patrimonial integradas.
Isso, sempre reforçando a nossa máxima, o alinhamento de interesses: nosso modelo é fee-based, sem comissão de produto. A nossa única meta é que o seu patrimônio atravesse os próximos anos protegido, qualquer que seja o resultado de domingo.
Vote, torça e acompanhe a apuração. Mas, na segunda-feira, comece a cobrar e a se planejar.
A Nord Wealth é a consultoria de wealth management independente da Nord Investimentos e a mais premiada do Brasil: é a única top performer presente nos rankings da XP e do BTG. Fundada em 2020, já soma mais de R$ 12 bilhões sob consultoria.
Diferentemente das assessorias ligadas a bancos e corretoras, opera no modelo fee-based, em que o cliente remunera a consultoria diretamente e recebe de volta as comissões pagas pelos produtos financeiros. Por isso, nenhuma recomendação depende do que gera mais receita para quem recomenda.
Uma equipe de mais de 20 analistas cobre renda fixa, renda variável, crédito privado, criptoativos e investimentos no exterior, com acesso a mais de 12 instituições financeiras no Brasil e parceiros internacionais.
Publicamos análises todos os dias para te ajudar a investir melhor — marcar como favorita aumenta as chances dos nossos conteúdos chegarem até você.

